Previsões para a palavra escrita

(artigo copiado ipsis litteris daqui e escrito por Kelly de Souza)

Em 1931, o New York Times comemorou seus 80 anos publicando uma série de artigos em que um grupo de visionários fazia previsões sobre como seria o mundo dali a 80 anos, ou seja, em 2011. Figuras de grande expressão da sociedade norte-americana da época opinaram, como WJ Mayo, fundador da Clinica Mayo, o industrial Henry Ford, o antropólogo Arthur Keith, o Nobel de Física Arthur Compton e vários outros. Mayo, por exemplo, escreveu que a expectativa de vida média do homem seria de 70 anos (estamos beirando os 78 anos, enquanto em 1931 mal alcançávamos 62). Compton previu a expansão global das comunicações, algo extremamente clarividente se pensarmos que em 1931 pouco mais de 30% das famílias tinham telefone. Explicou: “Com uma melhor comunicação, as fronteiras nacionais deixarão gradualmente de ter a importância que têm hoje“. Outras previsões foram feitas, com acertos e tolices, como a do sociólogo William Fielding Ogburn de que a pobreza seria eliminada até 2011.

As previsões sempre existiram e sempre existirão. Em geral poucas acontecem como os “videntes” (não profissionais) proclamaram. Alguns quebraram a cara, como a gravadora Decca Recording Co., em 1962, ao anunciar não ter interesse pelo som dos Beatles: “Não gostamos do som deles. Além do que, a música de guitarra está saindo de moda“. O que falar então da posição de Ken Olson, Presidente da Digital Equipment, em 1977: “Não existe nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em sua casa“.

Nos próximos dias choverão previsões para 2011. Das mais sérias, as mais irônicas. Para quem acredita em todas ou em nenhuma haverá bom espaço na mídia para especulação. Para quem está mais interessado na palavra escrita, no seu futuro e o que nos aguarda talvez seja interessante ler o ensaio A Escrita – Há Futuro para a Escrita? (2010), do filósofo tcheco (naturalizado brasileiro), Vilém Flusser (1920 – 1991), publicado pela primeira vez em alemão em 1987. Já que temos que passar algum tempo ouvindo falar em previsões, ler Flusser sempre será mais produtivo, principalmente quando ele se debruça no por vir da palavra escrita e em como os escritores no futuro poderão se manifestar. Saber o que vai acontecer em 2011 é pura lorotice, mas pensar no que poderá acontecer com a palavra é sempre indagador e interessante, ainda que não estejamos mais aqui para conferir.

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