Gestão do fluxo de caixa exige disciplina

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Ferramenta simples e fundamental para a boa condução de um empreendimento, o fluxo de caixapermite ao empreendedor ter uma visão direta e inequívoca do saldo atual de sua empresa e, com isso, antecipar-se a problemas financeiros e enxergar oportunidades. A questão é que é preciso muita disciplina para criá-lo, mantê-lo atualizado e, principalmente, foco para realmente tomar decisões com base na realidade revelada pelos números.

De forma resumida, o fluxo de caixa contempla todas as entradas e todas as saídas de dinheiro ocorridas em determinado período, revelando o saldo real da empresa. “Ele permite o acompanhamento da capacidade financeira, mostrando o caixa disponível ou indisponível”, explica Sílvio Paixão, professor dos cursos de MBA da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) nas disciplinas de Mercado Financeiro e Macroeconomia e Cenário Econômico. A vantagem deste controle é o poder de decisão que ele fornece. “Planejar, organizar, dirigir e controlar são os quatro conceitos básicos de um empreendimento”, afirma Sérgio Bispo de Oliveira, contador e consultor contábil da Contmatic Phoenix. “E a contabilidade, que faz parte deste controle, muitas vezes não é usada na tomada de decisão”.

Anotações em um caderno, planilha em programas como Excel, softwares específicos para o fluxo de caixa. As possibilidades são muitas, e para os consultores o melhor modelo a ser adotado é aquele que gera conforto para o gestor e que se aplica de forma mais direta às especificidades de cada negócio. De maneira geral, o papel ou o arquivo do computador precisa registrar:

Entradas de caixa – que podem ser divididas em:

  • * Entrada decorrente da atividade: o dinheiro recebido pela venda de um produto ou pela prestação de um serviço
  • * Entrada decorrente de aplicação financeira: o valor recebido pela remuneração de produtos financeiros
  • * Entrada pela injeção de capital: os montantes injetados por sócios no empreendimento

Saídas de caixa – que podem ser originadas por:

  • * Despesas – qualquer valor despendido relacionado à operação da empresa (salários, contas, pagamentos a fornecedor)
  • * Impostos – valores pagos em impostos e taxas
  • * Remuneração dos sócios – o total da retirada do pró-labore e capitalização dos sócios
  • * Investimentos – valores pagos na compra de máquinas, abertura de filial.

Mas o que incluir, nesta lista? A resposta é simples: absolutamente tudo. O professor Bispo alerta, inclusive, para os chamados gastos invisíveis, que costumam ser negligenciados. Uma pesquisa realizada pela empresa de cartões Visa em 12 países mostrou que o brasileiro costuma não saber o destino de 26% do dinheiro gasto semanalmente com pequenas compras, como a padaria, o cinema, o estacionamento. A pesquisa teve como universo apenas as pessoas físicas, porém isso não é diferente nas empresas. “É comum o empreendedor não anotar a compra de uma vassoura, do papel para a impressora comprado de forma eventual, do litro do álcool para a limpeza, do café. São valores pequenos que, somados, fazem diferença significativa”, comenta. “Não se trata de ser sovina, apenas de ter controle. No momento de se montar o caixa, este dinheiro terá estar visível de alguma forma, para que o caixa faça sentido”.

No caso de custos que podem variar, o ideal é partir de estimativa, baseada no histórico dos meses anteriores. Paixão recomenda uma visão que pode parecer pessimista, mas que, sendo seguida, tem mais chances de criar uma realidade positiva: as despesas devem sempre ser previstas como crescentes e as receitas como decrescentes para evitar sustos.

Também é preciso cuidado no que é considerada entrada, que só pode ser incluída quando realmente efetivada. Isso quer dizer, por exemplo, que um cheque ou a venda feita com pagamento por cartão de crédito só poderá ser registrada como entrada quando o dinheiro efetivamente tiver sido recebido. A lógica que está por trás disso é que um valor a ser pago hoje precisa ser quitado com dinheiro e não com a perspectiva de recebimento.  E não se pode esquecer de considerar o saldo inicial, ou seja, o que o caixa trazia antes da contabilização. É como acompanhar o saldo bancário: saldo anterior era o que havia antes das entradas e saídas do dia. Como resultado, é possível saber se há ou não dinheiro em caixa e agir de forma preventiva.

Paixão sugere um exercício simples para avaliar se o fluxo de caixa está bem montado. A tática é imaginar qual será o resultado do caixa se as vendas parassem. “Parei de vender, não quero mais saber do negócio. O que acontece com meu caixa? Ele ficará positivo ou negativo depois de eu cumprir com todas as minhas obrigações e quitar todas as contas?”, pergunta. Se o empreendedor conseguir esta resposta consultando seu controle de fluxo de caixa, a planilha estará aprovada. Não vale, aqui, considerar a venda de imobilizados (como a sede própria ou do maquinário), pois estes valores irão variar de acordo com as condições de mercadoc. O exercício serve para mostrar o quão saudável financeiramente está a empresa para o caso de parada nas vendas.

Gestão do fluxo de caixa

Mais do que controlar o “saldo” diário da empresa; deve-se fazer a gestão do fluxo de caixa. Isto significa avaliar, de acordo com o revelado pelo controle, se haverá a necessidade de contratação de um empréstimo ou de desconto de duplicata para cumprir com o pagamento das despesas. Ou, no caso de sobra, se é possível investir o dinheiro na compra de um novo equipamento, na melhor negociação com um fornecedor ou ainda aplicar. “Um bom fluxo de caixa dá condições de saber com antecedência a disponibilidade ou indisponibilidade de recursos”, diz Paixão.

Outra vantagem, é que o controle permite também uma visão real da formação de preço dos produtos e serviços e, além disso, da possibilidade de venda a prazo. Como explica Brito, geralmente a empresa terá de adquirir matéria prima para fabricar o produto ou mesmo os itens necessários para prestar um serviço de forma antecipada. Mesmo que negocie um prazo de 30 dias com o fornecedor, terá o prazo de produção ou venda ou realização do serviço e mais o prazo de pagamento dado ao cliente. “O fluxo de caixa permite perceber que o prazo de 30 dias encerra-se, por exemplo, no dia 16, mas que o dinheiro para pagar esta dívida irá entrar daqui a 45 dias. Ou seja, a venda quinze dias após a aquisição e mais 30 dias de prazo para o cliente”. Este é o chamado ciclo do produto, que impacta diretamente nas finanças da empresa. Se o ciclo incluir a necessidade de desconto de duplicata ou aumento no capital de giro, o custo precisa contemplar o que será gasto com isso.

Fonte: Santander Empreendedor

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