A Índia à frente mais uma vez – Tablet a US$ 35

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Um simples mortal, com o nome cabalista de Kapil Sibal, acaba de anunciar ao mundo a construção de um tablet que será vendido a partir de 2011 pelo preço de US$ 35

Por Jack London*
(matéria originalmente publicada na Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios)
Os deuses hindus andam muito agitados nestes tempos em que vivemos. Não se sabe ainda se Shiva, que representa o poder da transformação do mundo, destruindo ciclos e criando outros, ou se Vishnu, acompanhado de sua mulher Lakshmi, deusa da prosperidade, da riqueza e da beleza, foi o autor espiritual da mais recente façanha do mundo tecnológico. O certo é que um simples mortal, com o nome cabalista de Kapil Sibal, acaba de anunciar ao mundo a construção de um tablet que será vendido a partir de 2011 pelo preço de US$ 35 (aproximadamente R$ 60).
O objeto mágico tem telas de até nove polegadas, processamento de texto, navegação web e permite um uso pleno por seus usuários.
Estamos mais uma vez, pelas mãos de Shiva, à beira de um evento que pode refazer o mundo cotidiano. Trata-se da possibilidade de termos à disposição um computador pelo preço de um celular popular. Do alto dos nossos 220 milhões de celulares em uso no Brasil, fica fácil imaginar que num prazo muito curto – de cinco a dez anos, ou quem sabe menos – teremos na mão de cada brasileiro um computador, vendido nas lojas de varejo, com crediários em 24 vezes, ou distribuído a todos os estudantes do ensino médio do país sem custo. Distribuir dez milhões desses tablets custará mais ou menos o valor a ser gasto nas obras de reforma ou construção de um dos grandes estádios para a Copa de 2014. Tablets serão vendidos pelos camelôs nas esquinas de nossas cidades e, ao mesmo tempo, o ciclo dos PCs e laptops estará encerrado.
Descrito dessa maneira, o futuro próximo parece fantasia, mas olhem para trás e constatem, sem qualquer dúvida, que nos últimos 10 anos foram vendidos no Brasil 70 milhões de computadores e 200 milhões de celulares.
Nada mais de cadernos escolares, canetas, mochilas com dezenas de livros, escoliose que grassa entre crianças e adolescentes. Uma cabeça, um voto; uma cabeça, um celular; uma cabeça; um tablet.
Quando nos debruçamos sobre as estatísticas indianas o mundo parece de ponta cabeça.
O povo de Vishnu tem hoje 580 milhões de celulares em uso contra 356 milhões de banheiros públicos ou privados. O número de patentes registradas anualmente na Índia é dez vezes maior do que no Brasil.
Desafios novos são sempre encarados com ceticismo pelos mais renitentes, até o momento em que mudam de posição radicalmente e se tornam os mais fervorosos adeptos do já nem tão novo processo, repetindo a defesa ranheta do que já está indo embora.
Adeus PCs, adeus laptops, abram alas para mais uma volta do parafuso.
Vejo apenas um pequeno problema nessa novidade: como chamaremos em português o tablet? Tabuleta? Tablete?
P.S. : Kapil Sibal, acima citado, é Ministro de Estado para o Desenvolvimento de Recursos Humanos. Que tal trocarmos, num próximo governo, o Ministério da Pesca por um Ministério de Desenvolvimento de Recursos Humanos?

* Jack London fundou a Booknet, primeiro negócio virtual que ganhou fama no Brasil, e a Tix, empresa de comercialização de ingressos online. Agora, investe no cinema digital com a Multicine

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