Desmistificando os fundos de Private Equity e Venture Capital

em

Por Carlos Miranda*
(publicado originalmente na Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios)

Muito se ouve falar de fundos de investimento nos noticiários de negócios, que investem e se tornam sócios de empreendimentos de diferentes categorias. Ao mesmo tempo, fala-se muito sobre o quanto um fundo desses colabora – ou não – com o desempenho de uma organização.

Para melhor avaliar a importância desses “players” no sucesso das empresas, é interessante antes entender a sua dinâmica de geração de valor para os gestores e para os seus investidores, e acabar com o mito de que os fundos são oportunistas, que querem apenas entrar comprando barato para sair vendendo caro.

É claro que no mercado existem fundos cujo foco principal é entrar em empresas com problemas (as chamadas “distressed”), comprando parte dessas organizações por um valor mais depreciado, reestruturá-las e sair após o sucesso desse processo. E isso também tem a sua função dentro do mercado. Porém, o meu foco aqui é outro e está na maioria dos fundos de Private Equity (PE) e Venture Capital (VC).

Basicamente, existem duas fontes de receita para os gestores dos fundos de PE e VC. A primeira é uma taxa administrativa que o gestor cobra dos investidores (que tem como objetivo cobrir as despesas mínimas necessárias para os gestores participarem do processo de transformação das organizações investidas) e a outra é uma taxa de sucesso cobrada dos investidores, calculada basicamente entre o valor da participação acionária na entrada do investimento e o valor da mesma em sua saída, ou seja, a gestora só ganhará essa parte se conseguir a valorização do ativo que investiu.

Pelo exposto acima, percebe-se que essa valorização é a principal fonte de receita dos gestores de muitos fundos. Sendo assim, eles terão como atividades principais escolher organizações com potencial de crescimento para investir, colaborar o máximo para ajudar nesse crescimento, profissionalizar a empresa, financiar a sua estratégia, prepará-la para ser uma empresa transparente perante o mercado e desafiar os seus executivos a acelerar o crescimento. Como se pode ver, o fundo será um sócio efetivo, profissional e com o máximo interesse no sucesso do empreendimento.

Para conseguir esse crescimento, o gestor do fundo (e aí está a sua principal colaboração, além do dinheiro que investirá) colocará a sua melhor competência financeira, estratégica e organizacional a serviço de seu investimento. Na maioria das vezes, buscará um modelo de gestão compartilhada, em que cada parceiro colaborará com as suas melhores competências. A ideia é proporcionar ao empreendedor (desde que tenha escolhido o fundo com mais aderência à sua personalidade) a possibilidade de voltar a fazer o que realmente gosta (se preocupar com o “core business”) e o que realmente agrega valor ao negócio. Por outro lado, esse empreendedor poderá transferir aos gestores atividades que eles já executam há anos – como as mencionadas acima. Dessa forma, a parceria proporciona uma máquina ajustada, um seleção com os melhores jogadores, atuando nas posições corretas e com um treinador que sabe exatamente como ganhar o campeonato.

Há que se entender, portanto, que somente os bons casos de sucesso de uma gestora vão gerar valor para os seus investidores. Da mesma forma, somente com esses casos os investidores ficarão motivados a continuar investindo em novos fundos propostos por essas gestoras e só assim as mesmas serão capazes de atrair novos investidores, motivados por esse sucesso. Essa é a única forma de perpetuar o negócio de um fundo.

Em síntese, os fundos conseguem aportar alguns valores importantes para as organizações: capital necessário para financiar a estratégia de crescimento, visão de gestores experientes que irão desafiar essa estratégia, gestão financeira profissional, profissionalização, inclusão da empresa em uma rede profissional de negócios, governança, exposição da investida no mercado, pressão positiva para levar o negócio ao crescimento. E como resultado: crescimento sustentável, valorização e perpetuação das organizações, colaborando para o crescimento da economia.

*Carlos Miranda é presidente e fundador do fundo de Private Equity BR Opportunities, mestre em administração de empresas pelo IBMEC RJ e co-autor do livro “Empresas Familiares Brasilieiras”, organizado pelo Prof. Ives Gandra Martins

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2 comentários Adicione o seu

  1. jorge edson disse:

    Gostaria de saber qual a estatística de sucesso nas empresas que receberam invetimentos de venture capital e private equity no Brasil. Qual o percentual de empresas que tem sucesso com esses investimentos?
    Obrigado.

  2. Olá, Jorge!
    Infelizmente, não possuo estes dados. Sugiro que entre em contato com o pessoal da Endeavor (http://www.endeavor.org.br/), da GVCenn (http://cenn.fgv.br/) ou com o próprio Finep (http://www.venturecapital.gov.br/vcn/index.asp) para conseguir tais informações 😉
    Abraços.

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