carta ao pai

papai

Não pai, por aqui ainda nada mudou. Não tivemos tempo de ensinar o gato a falar, não avisei os contadores de tua partida e nem os móveis chegaram de São Paulo.
Não, nada mudou. A novela acabou e foi aquela mesma lenga-lenga das 6h, a chuva continua entrando pelas frestas das janelas mal fechadas, e meus olhos ainda denunciam minhas noites mal dormidas.
Sabe o problema com o fone de ouvido? Ainda o mesmo. E no teclado, o “a” permanece afogado no mar das letras, sozinho de tudo, de tanto ser usado…
Sua calculadora ainda ri de nós,  em cima do guia da Espanha, ao lado do carimbo da editora, do grampeador e de todo o caos que você cuidadosamente construiu na mesa do computador… e que dizia que trazia sorte, lembra? No meio disso tudo, a imensa lupa se sobressai, gloriosa…
Não. Definitivamente nada mudou. A economia é a mesma, os impostos são os mesmos, e o brasileiro… acho que nem preciso dizer.

Atibaia ainda é azul, São Paulo ainda é cinza, o Rio ainda é praia, e agora é Olímpico.
Pois é, pagaremos pela festa que nem sei se usufruiremos…

Lá no quarto dos fundos, na casa do vovô, o tabuleiro de xadrez lembra aquela eterna partida pela metade… Pela metade…
Mas que movimento fazer?
Se o Rei foi embora: checkmate.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Ola,
    Estava pesquisando imagem de Zé Ramalho e achei seu Avohai.rsrsrs
    Adorei seu blog e seus textos são lindos!

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