Pessach

Às vezes eu me pergunto: qual a vantagem de saber escrever quando não se sabe dizer, em palavras, aquilo que realmente se está sentindo?
E qual o valor das palavras quando tudo o que se tem dentro e fora de si é solidão?

Quando os amores calaram e as amizades se distanciaram; quando os laços se afrouxaram e só restam as lembranças do que um dia foi possível… É possível escrever sobre o que quando todas as lições que recebemos da vida nos ensinam que calar os sentimentos é, via de regra, mais saudável à saúde do jogo social?

E quando não se quer mais jogar? Abandonamos o jogo ou, na verdade, apenas brincamos sozinhos?

Não é possível que o melhor de mim seja o meu silêncio! Que a melhor medida sejam as desculpas. Que a melhor melodia sejam os ruídos! Que a melhor distância seja a ausência.
Não sinto isso.
E, no entanto, tenho aprendido cada vez mais a me calar.

Nós, mulheres, aprendemos muito cedo a amar o impossível, através dos contos de fadas. Talvez isso explique minha atual obsessão por cavalos marinhos. Também aprendemos a encarar as outras mulheres como rivais. Talvez isso explique a necessidade de plásticas e compras constantes.
Mas somos inabaláveis quando confiamos!
Talvez isso explique a força da nossa amizade, quando sincera.

É Páscoa e tenho me sentido cada vez mais só.
Meu irmão faz o possível pra me suprir as ausências, mas tem lágrimas que apenas outras mulheres entenderiam. E as “minhas” mulheres estão longe. Minhas duas irmãs, que eu demorei tanto pra descobrir. E que hoje me entenderiam antes mesmo de eu abrir a porta.

Porta que está cada vez mais difícil de se abrir.

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4 comentários Adicione o seu

  1. As palavras servem (também) para fazer companhia. Palavras não chegam por completo a explicar sentimentos, mesmo quando passam perto de realizar tal tarefa. Passado aquele momento da definição de um sentimento qualquer, numa volta ao texto há espaço para outras palavras e palavras que já não mais ali cabem.

    A saúde do jogo ou convívio social seria a escalada intelectual poderosa pouco bem sensitiva? Se as letras, sílabas e cia estão ainda brotando de você é porque pode não ser a hora de brincar sozinha. Inabaláveis? Talvez nem as mulheres, nem os homens e nem as portas.

  2. Marcos Abrão disse:

    Olá Beatriz, interessei-me por sua escritas, excentricas e algo mais! Parabéns! Quanto a solidão, é a cina de qualquer poeta ou poetiza! Tenho um blog tbm ( http://atrevia.blogspot.com). Abraços!
    Tudo de bom!

  3. Não brincaras so.
    O teu amor escondido,
    Que te deu partida
    Pro senso,
    Esta aqui bem à tua frente
    Soltando as pipas do tempo
    Para acudir tuas lagrimas…
    Bebê-las em tua face
    Junto aos labios
    Desta Vida.
    Tuas portas enferrujadas
    Ja nunca mesmo existiram.
    Tuas Mulheres as trocaram.
    Hoje escancaras teu Amor ao mundo
    Entre letras desnudadas.
    A doçura dos teus têrmos
    Atracam às palavras arduas, duras…
    Faz ferver este caldeirão
    De loucuras fêscas
    Até te amanhecer
    Em meus braços.
    Não tenhas mêdo.
    Das tuas portas
    Eu
    Também
    Tenho
    Chaves.
    Beijos
    Heitor de Pedra Azul
    http://www.myspace.com/heitordepedrazul

  4. Ana Peluso disse:

    Que sou uma das irmãs, que não as duas, está certo, me incorporo. Confio de forma inabalável. É a vida que foi abalada em suas estruturas até que aceite-se em ruínas, um recomeçar. Por isso a ausência, a distância.
    Ontem passei perto de onde morava. A rua ao lado (e é ao lado mesmo) se chama – creia – Beatriz Galvão. Mais um plaquinha na floresta. Logo chegaremos à clareira.
    Um beijo. Que seu dia seja multicores e que você em meio aos cavalos marinhos, seja multi-olhos.
    Vou desenhar isso.
    ;))

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