Resposta(s) aberta(s) a um Passageiro

2612b3.jpg
(Gustavo Saba – Erosão de Eros)

Todos os lugares, Hoje de 2008

Num impulso de lhe responder, sem querer me conheci. E me abri a novas perguntas. Mas pretendo editá-las ao longo do caminho, sem me adiar demais, sem me amar de menos. E posso dizer que, se fosse, agora, dar nome ao disparate abaixo, cambaleava: Manual da alma feminina? Pedigree da alma-fêmea? Dúvida de uma transeunte que caminha 100% nos sentidos da razão, 100% no cemtidos da paixão.

– talvez, ao nos depararmos com as fraquezas da vida, encontramos, no aparente precipício, a Força mítica. Estou certa? Eu descubro. –

Mas, apenas para não me alongar demais nas respostas de menos, segue o confessionário. De hoje.

Direitos desrespeitados das mulheres. Muito meus. Posso confessar?
:
1) Do direito à TPM sem culpa, e tudo o que ela pressupõe (desejo de matar ou morrer, solidão, insônia, dramas, angústias, arrependimentos próprios seguidos de risadas intermináveis por uma piada mais ou menos sem graça e novas lágrimas com a propaganda da Doriana);
2) Do direito a chocolates sem calorias;
3) Do direito ao colo e à in-dependência declarada;
4) Do direito às manhas e às manhãs (citação, vc sabe);
5) Do direito ao trânsito livre entre o salto alto e a pantufa de bichinho;
6) Do direito a dar e receber carinhos sem hora marcada;
7) Do direito a se encantar com a chuva e esquecer da chapinha;
8 )Do direito a não ser sexy 24 horas por dia, 7 dias por semana;
9) Do direito ao amor com sexo, ao amor sem nexo, gritado ou sufocado;
10) Do direito a odiar amar Chico Buarque, Sartre e afins.

(Só pra citar os mais (im)prováveis)

Sobre Chico: Mulheres de Atenas são apenas algumas delas. Eu sou TODAS, de Geni a Terezinha. Também passei em exposição às vitrines e enxerguei, nas galerias, as Passagens de Walter Benjamin. Nos meus olhos, pude ver as vitrines e o nascimento de novos fetiches. A Metrópole (re)nascia a cada clarão, mas quem escorregou pelos vãos catando a poesia deste homem-fêmea fui eu.
Mea-culpa.

Amo.

E, como no “museu de grandes novidades”, esse amor não tem passado, não tem futuro. É um presente. Continuum. Matéria bruta que se decanta em composições mais, ou menos, (a)simétricas. Sem fins lucrativos.

Meu Amor não tem tempo. É um aqui constante.

E se bater à sua porta, com Ana ou Carolina, vestida ou sem-vergonha, saiba que todas as Beatrizes – de Dante a Chico, e mesmo as da feira – estão presente(s).
Não abra se só for capaz de olhar sem ver.
Mas escreva quando puder a esta,

Mulher de Passagem.

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

O Passageiro: http://www.papodepassageiro.blogspot.com

Anúncios

3 comentários Adicione o seu

  1. PP disse:

    “Meu Amor não tem tempo. É um aqui constante.”
    Estou planejando visitá-la ainda este ano. Há quantos não nos vemos??? Cerveja, TPM ou felicidade alegre, gritos e silêncios pela metrópole do anonimato, pela metáfora do eu morro e mato.
    Que assim seja!
    Gostei de hoje aqui.
    Beijos, Gi

  2. Qual resma de tempo pode responder sua primeira questão? Sem manual da carne feminina, talvez não eu, mas penso ter sido cem(auto)tiros… Arrependido… Querendo ver vida nas gotas do oceano, nos pecados da carne… Carne humana, que não é programável como plástico e metal, computa a dor. Talvez a Força mítica nos descubra, mas cada um escolhe seu cobertor, ou é escolhido?

    Confessar me faz lembrar fazer o sinal da cruz, mesmo sem perceber, escondido no coração, ao contemplar um templo, talvez seja o inconsciente por ver aquelas retas e ângulos lá em cima ou lá dentro.

    Direitos? Peitados (ou tentados) de um humano:

    1 ) Não perguntar se posso confessar.
    2 ) Não deixar de chorar com novas propagandas da ferrari ou do bom e velho fusca.
    3 ) Não comer chocolate quando o dente dói.
    4 ) Não depender, quando (de)mente, obedecer o coração.
    5 ) Não odiar o irrévérence faltado às manhas e às manhãs, num depois sem (ex)citação.
    6 ) Não transitar tão livre no asfalto, pode ser perigoso.
    7 ) Não dar e receber chorinhos com hora marcada.
    8 ) Não preferir chapinhas e sim cabelos molhados.
    9 ) Não deixar de sentir a diferença entre o músculo de cima e o de baixo.
    10 ) Não ser palhaço 24 horas por dia, 7 dias por semana e tentar não deixar de sorrir.
    11 ) Não confundir amor com se(ne)xo.
    12 ) Não odiar Chico Buarque, Sartre e afins.

    Pensando atravessar estradas, pensando atravessar o país, pouco conheço Elis. Geni e Terezinha podem ser tantas. Outro dia eu deixei o feijão queimar, me (dis)traíndo, teve que ir mais pimenta para a panela, o Tom disse que o ciúme é o tempero do amor… Aí pensei no feijão queimado, e nem senti direito o gosto da pimenta. Se o ciúme (des)temperar o amor, corremos o risco de não sentir o gosto da confiança, ou não? Mas talvez exista um fimínicio confiar em quem (quem é Maria do Maranhão?) desceu escada, atravessou o país, procurava muito pouco ser feliz.

  3. Adorei!!!
    Queria escrever assim como você!!!
    Um dia será que consigo ??!!!
    Acho que não pois tenho deslexia.
    Beijosssss Baby

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s