Carta aberta a um amigo Poático

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Fernando,

 Queria dizer que as passagens, abertas, ficaram mais claras, baratas e sem perigo – mas de avião não voa mais o meu pensamento.
As nuvens, por sua vez, abrem espaço nas bocas e nos cigarros, que continuam acesos, queimando neurônios e iluminando idéias.
E as noites? Sem garoas e cheias de frios silenciosos na madrugada, de uma ausência que se cala, logo ao raiar do dia… Você sabe: São Paulo desdenha o vazio.

E eu aqui, meu mui caro amigo, desenho ainda o futuro nosso, seja em Poa, seja dançando tango. Seja, ainda, escrevendo, mais e mais, os espaços-entre.

No vão das coisas, caminho bem. E o meu espaço, estou aprendendo a cultivar no cimento, no asfalto.
Grito alto, de saudade e possibilidades. Quem sabe um dia a gente se reveja. Quem sabe um dia o Brasil seja menos-continente-mais-país. Quem sabe um dia a carta seja finalmente entregue. Em mãos.

Muitos beijos, com sol de fim-de-tarde.

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8 comentários Adicione o seu

  1. Embora eu não seja o Fernando, acabei me sentindo meio destinatário, meio como que dizer muito prazer não fosse o mais correto e sim um ói nóis aqui travez…talvez porque as cartas que eu receba não sejam escritas prá mim…

    Achei este espaço por um link (Vera Basile)…que bom!!

    Abraços!!

  2. marcelo disse:

    Coisa linda, Bia! Posso postá-la no meu blog? A delicadeza das palavras são quase chuviscos molhando a tela. Lindo demais.

    Abraço forte!

  3. Beatriz disse:

    Beatriz, a chuva de hoje em Poa não esconde a luz do dia, e ainda que escorra pelo cimento, alimenta afetos e sacia a sede da saudade, aliviando sua ardência.
    Aqui, ou aí, pouco importa, nossa música e palavra se entrelaçam assim como as folhas dos plátanos douram no outono. Somos estações e nelas e por elas nossas mãos também se entrelaçam.
    beijos, muitos.

  4. Que delícia, após a noite triste de ontem – que me motivou sinceramente a escrever esta carta aberta a este amigo tão querido -, acordar, vir trabalhar e receber, logo pela manhã, palavras de carinho de novos amigos que ainda nem conheço… Mas, quem sabe, seja apenas o início de uma longa e nova estrada.

    Sérgio,

    Talvez as cartas que vc receba sejam mais suas do que imaginas. Ainda que endereçadas a outros. Quem pode dizer? Os percursos possíveis da vida são tantos que nas curvas, muitos mistérios se escondem.
    Pega daqui tudo o que for produtivo a ti. O resto, pega também, e transforma. À vontade, querido.
    Beijo meu!

    Marcelo,

    Sempre bom lhe ver por aqui, querido!
    Melhor ainda é poder te visitar lá no Resumo da Chuva! Aliás, faz tempo que não saio do meu sítio para me molhar um pouco… Saudade! Te devo. Me devo. Apareço sim.
    E fique à vontade para publicar o que quiser de meu. De nosso.
    Vc já é de casa, não se esqueça.
    Trosbeijos!

    Beatriz,

    Nome lindo o seu!… rsrs… E que coincidência! São Paulo e Poa conversam muito, hoje e sempre. É o cinza, a cor do asfalto, às vezes da deselegância, mas a chuva molha mesmo os afetos e transforma as distâncias em arte. Afinal, cinzas também são as pontes-estradas, não é?
    Bem-vinda sempre.
    Beijos deveras!

  5. Vera Basile disse:

    Que lindo Bia!!!
    Queria ter toda essa sensibilidade, para escrever.
    Minhas cartas são “fechadas” e “duras”..rs

    A arte cura!

    beijo

  6. …pois é, “os percursos possíveis da vida são tantos que nas curvas, muitos mistérios se escondem…” – costumo dizer que a internet deixa sempre portas entreabertas pelas quais podemos espiar um pouquinho do que ainda nem é, como esses “percursos possíveis” e essas “curvas”…
    sua escrita é sensível e forte, afago e porrada, gosto disso…
    vi que vc. tem perfil no orkut, posso visitá-la por lá prá gente trocar letras e blues???
    Abração!!

  7. Jens disse:

    Oi Beatriz.
    Vim aqui por indicação do Marcelo. Gostei do que vi e li. Prazer em te conhecer. Parabéns.
    Um abraço.
    PS: também sou de POA.

  8. Uma bonita mensagem, Beatriz. Achei você lá no Resumo da Chuva, do Marcelo.
    Um beijo e até breve.

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