Agenda Cultural

Sampa tem tantas atrações culturais que fica até difícil saber onde ir, non é vero? Bem, seus problemas não acabaram, mas diminuíram bastante. É só seguir as recomendações deste blog que vos fala. Para esta semana, recomendo o espetáculo “Diários da Sede”, que fica em cartaz até 28 de junho apenas, lá na Rego Freitas – 448, e conta com a trilha sonora do meu queridíssimo, criativíssimo e afinadíssimo amado-amigo Monahyr Campos.

Ainda não assisti à peça, mas recomendo mesmo assim. Por que? Oras, conheço este cara há anos e posso garantir: ele SABE o que faz em termos musicais, além de ser um excelente confidente em horas vagas e beber cerveja como poucos. 

Claro, aos mais íntimos: sessão Eu-Nunca pós peça.
(sugestão de início: “eu nunca fiquei zonza ao ver o Monahyr tocar!”… ooops…)

 

 

(Clique na imagem para ampliá-la) 

diariosdasede2.jpg

 

Sobre gelatinas vermelhas, mesas com buracos e lagartixas

por Juliene Codognotto


A gelatina vermelha não é o tema central da montagem de Diários da Sede, que estreou no dia 3 de maio no palco do Next, o campeão em fedor de fumaça de cigarro. Odores à parte, é muito difícil definir a peça, que é permeada de significados e fica dançando entre o vazio e o infinito quando o assunto é transmitir e despertar sensações. 

Começamos conhecendo dois estranhos narradores, cujas falas são líricas, dinâmicas e bem sincronizadas, mas cujo sentido para a obra não ficou muito claro. Talvez, neste caso, eu esteja sendo o que chamamos de “público-problema”, mas o que pareceu foi que os dois personagens estavam suspensos, sem posição definida e sem conexão com os outros, que eram tão tão (como dizer?) palpáveis, creio. No entanto, os apresentadores, ela oriental, ele negro, passam por assuntos como a criação do homem, seus medos, seus sonhos e seus fracassos de maneira objetiva e divertida e nos preparam para conhecer esteriótipos da sociedade. São seis personagens (o casal esquisito, o casal chique, a executiva gostosona e a empregada estranha) e a maneira como eles se apresentam é bastante criativa e instigante. Entendemos as verdades daquelas pessoas por meio, inicialmente, de encontros entre elas e, posteriormente, de monólogos muito engraçados e bem construídos. Um deles se resume a uma palavra: “eu”, que retrata brilhantemente todo um universo. Tudo é, nas primeiras cenas, preto e branco. Somente a união destes personagens todos em um jantar traz um pouco de vermelho ao palco. E com o vermelho, vem para o centro a mesa com furo no meio, proposta inteligente e bem explorada, como que para tentar prender e cercar uma verdade que não vem ou não satisfaz. A base do espetáculo é a história de uma criança que, vítima de abusos sexuais, mata a professora a facadas. As discussões sobre o fato vão ganhando corpo e fazendo parte da vida dos personagens, de forma que suas opiniões e reações nos ajudam a entender quem são eles realmente e em que ponto são todos iguais. E, sim, são bastante iguais apesar de tantas diferenças aparentes. São iguais, sobretudo, na mania de opinar sobre aquilo que não conhecem. Aliás, não somos assim também? A brincadeira inicial com a gelatina vermelha fica por conta de, no final, ao invés de pizza, tudo acabar
em gelatina. Além disso, a comida molenga ganha um belo destaque graças à iluminação, cujas soluções estão entre os pontos altos da montagem. Cabe valorizar, por exemplo, o microfone que é também holofote e, assim, traz, ao mesmo tempo, voz e luz aos personagens, que se estapeiam para estar no foco.
 
Diários da Sede é uma montagem sem muita pretensão e com muita disposição para correr riscos. Isso, por si só, já lhe rende pontos positivos, pois o risco pode trazer “barrigas” e acidentes de percurso, mas traz também soluções criativas e inovadoras.  A abordagem leve de temas atuais (como opinião e mídia) e o questionamento consistente de temas atemporais (como sonhos, medo, fracasso e amor familiar) saltam do texto veloz de Elzemann Neves e fazem o público sair do teatro rindo por fora e pensando por dentro (com o perdão do pleonasmo). 3 bonecos do Bocão cantando “Abre a boca, é Royal” 

http://www.bacante.com.br/resenhas/2007/05/sobre-gelatinas-vermelhas-mesas-com.html

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2 comentários Adicione o seu

  1. tarcila disse:

    Olá, achei sem querer seu blog e vi que recomendou Diários da Sede. Estou fazendo essa peça… apareça por lá já que ainda não viu!!!

    Um beijo e valeu por divulgar!

  2. Elzemann disse:

    Olá. Sou o autor de Diários da Sede e gostaria de convidá-la para assistir outra peça minha, chama “Minha Mãe”, em cartaz no Teatro Augusta, sextas-feiras, as 21:30.

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