Posts Tagueados ‘poemóides’
Miedo
“Medo de errar. Sempre tive. Medo de errar é que é a minha paciência. Mal. O senhor fia? Pudesse tirar de si esse medo-de-errar, a gente estava salva.” – Guimarães Rosa in Grande Sertão: Veredas.
- ***********************
Hoje os vôos foram pequenos
Para tantas asas.
E o avião que partiu
Ainda não era você.
Hoje o café sobre a mesa
Posta
E o silêncio
Vazio
Como a xícara – que quebrei para adiar as palavras…
Hoje,
A lembrança do filme com vinho e chocolate
E as cócegas embaixo do edredon
- Bom, ao menos, é o que me lembro –
Hoje as risadas calaram mais alto
E as lágrimas
Molharam saudade.
Ponto.
Capitu traiu Bentinho?
Sempre defendi que não.
Você acusava: olhos de ressaca!
Hoje a distância
Une mais que separa.
São só recordações
Re-sentimento sem mágoa
Vontade de olhar,
Menina,
O cadáver…
Só
mais uma vez.
E ponto.
Tantra Cacofônico
“A indiferença reflete um acordo, tácito e dúbio, com os excrementos.” – Osman Lins in Avalovara.
………………….
Trombadinha
Tumba – Tuba – Tráfego
Tanto trauma
Tanta transa
– tantra? –
Tanto trânsito
– parado –
(contracenso):
Contracapa que não escrevi
Caixa, craque, carros, cracolândia
Cacofonia de ecos quietos
Quadradas mentes
Quadrados mundos
Quadros furtados
Pára pára pára
(choque!)
- cultura pra quem, hein?
Se pego e me jogo, será que alguém vê?
Cartazes panfletos semáforos
Pára pára pára
(choque!)
- cultura pra quem, hein?
Artista de trânsito parado tenta trocados.
Tudo trocado.
- cultura pra quem?
Tudo tanto tanto
Tão pouco tudo
Nada
Contentamento
Per te
A esmo
Porque é assim
Tiro a foto que
guarda:
momento de se calar.
E porque não é (só) assim
Vou tirar outra foto
Quando quiser
Regressar
E a manhã está linda
E quero tudo
Amor e indiferença
-E porque o outono não existe apenas para justificar a primavera-
Escrevo de novo
Na foto que ainda vou tirar
Guarda para expôr: quando regressar, dê-me tudo
E nada mais
Vazada
Vi o objeto ao varal
Vermelho
Despudoradamente livro
Livre
De minhas mãos
– que tentavam, em vão, segura-lo –
Vazava
Do romance-poema
Espirais e quadrados
Vi o objeto-varal
Despudoradamente velho
Vermelho-livre
Livro de minhas mãos
Vãs
Vão vazava Avalovara-romance
Poema de quadrados espirais
Devorei-o
Despudoradamente vermelha
Velha veia vã
Desmedidamente vazada
Aglutinada
Espiralada
Enquadrada ao poema-romance-palavra
Canabalizei signos
Ressignifiquei vãos
Carnavaliza-ação
Fagia de Antropos
– sem Antas –
OsMaldianamente
(sebo USP e Campinas sem sol – 27/06)
Nu entanto
(Gustavo Saba)
Aventura na Casa Atarracada
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: – Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.
Contagem regressiva
Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos
Ana Cristina César
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&
- um passo. outro. só hoje.
vazada.
amanhã veremos.
amarelo é amarelo.
vermelho é vermelho. sem complicações.
sem explicações nem projeções.
porta e bocas abertas. mais nada. agora.
amanhã nos veremos. veremos
o que há
de novo. -
454 Sampas
De um baiano:
… de outro baiano:
de japoneses
húngaros
italianos
de Santa Rita de Sampa
de tráfegos e tráficos
de corredores abarrotados
São Paulo é todas
é de todos nós:
megalópole-garoa
(que) des-
constrói
coisas/belas
Sou eu
é você
são elas
apartando cidades no meu peito.
It´s just something that we do
Vontade de viver assim: um pouco mais à vista, um pouco mais à toa, um pouco mais garoa, com muito mais cartão.
Vontade de escrever assim: um pouco mais na brisa, um tanto mais na brasa, Deus disse: “desce e arrasa” e aqui, algum botão.
Vontade, aqui, de espinhos
e poucas mãos sangrando.
Vontade, mesmo, de língua
e todo um céu brotando.
Vontade da tua carta na minha caixa de entradas
e nenhuma despedida na caixa de saídas
-vontade de saídas
pra todos os lados
saídas de banho
pra que te quero?-
Vontade de mais enters
menos escs (ask me why)
Vontade de saber que, no fim, o F5 ainda funciona. E que chegará o domingo em que Fausto morrerá com tudo dentro. Ou sairá, em uma interminável férias…
Vontade de férias do medo
do escuro
do vazio
do agudo
Vontade de gata, de deitar na rede que é gozo
e me lambuzar
de tanta existência.
Vontade de desistência
de tudo o que queria nascer
abortado.
Vontade de que? De passado?
Nunca!
Só se for a limpo, que acabo de matar o objeto.
Vontade de me saber una
e mais livre
com teu sorriso by gtalk
e a felicidade de não depender de mais nada…
(celular: vibre, por favor!)
(Antiga…)
Eu
Olhares
Faces
Sorrisos
Facetas
Língua
Boca
Buceta
Poros
Nós
Bocas
Dentes
Línguas
Trava-línguas
Gengivas
Pedras
Água, sal
Falo, falos, conversas, teclados, visores, ouvidos-sem-tímpanos, palavras, pá-lavras, idéias, sementes, projetos, fuga, não-dito, mal-dito, ditados, deitados, silêncios, calados, cálidos, sozinhos, caminhos, buracos, frio, solidão, joguinhos, textículos, machados, flores-sem-papel, promessas, vírgulas, pontes
Você







