Miedo

“Medo de errar. Sempre tive. Medo de errar é que é a minha paciência. Mal. O senhor fia? Pudesse tirar de si esse medo-de-errar, a gente estava salva.” – Guimarães Rosa in Grande Sertão: Veredas.

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Hoje os vôos foram pequenos

Para tantas asas.

E o avião que partiu

Ainda não era você.

Hoje o café sobre a mesa

Posta

E o silêncio

Vazio

Como a xícara – que quebrei para adiar as palavras…

Hoje,

A lembrança do filme com vinho e chocolate

E as cócegas embaixo do edredon

- Bom, ao menos, é o que me lembro –

Hoje as risadas calaram mais alto

E as lágrimas

Molharam saudade.

Ponto.

Capitu traiu Bentinho?

Sempre defendi que não.

Você acusava: olhos de ressaca!

Hoje a distância

Une mais que separa.

São só recordações

Re-sentimento sem mágoa

Vontade de olhar,

Menina,

O cadáver…

mais uma vez.

E ponto.

Publicado em:  on 16/09/2008 at 00:11 Comentários (1)
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Tantra Cacofônico

“A indiferença reflete um acordo, tácito e dúbio, com os excrementos.” – Osman Lins in Avalovara.

………………….

Trombadinha

Tumba – Tuba – Tráfego

Tanto trauma

Tanta transa

– tantra? –

Tanto trânsito

– parado –

(contracenso):

Contracapa que não escrevi

Caixa, craque, carros, cracolândia

Cacofonia de ecos quietos

Quadradas mentes

Quadrados mundos

Quadros furtados

Pára pára pára

(choque!)

- cultura pra quem, hein?

Se pego e me jogo, será que alguém vê?

Cartazes panfletos semáforos

Pára pára pára

(choque!)

- cultura pra quem, hein?

Artista de trânsito parado tenta trocados.

Tudo trocado.

- cultura pra quem?

Tudo tanto tanto

Tão pouco tudo

Nada

Publicado em:  on 11/09/2008 at 13:19 Comentários (2)
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Contentamento

Contentamento

Comtendas
Comportas
Comtudo

(tudo?)

Mais livre, porém,
Se
Comtestamento advertido em ação:

Contestação.

Publicado em:  on 09/09/2008 at 05:47 Deixe um comentário
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Per te

 

Uma boca

      Um café

            Outro café

                   Outra boca

 

Paroleparoleparoleparoleparoleparoleparole

 

Onde o silêncio?

Onde a pá e a lavra?

 

(E a pergunta queimava no bule. Indizível. Quieta. Muda.

Talvez a única parte inteira da noite, que começava pela metade.)

Publicado em:  on 05/09/2008 at 17:23 Comentários (1)
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A esmo

Porque é assim
Tiro a foto que
guarda:

momento de se calar.

E porque não é (só) assim
Vou tirar outra foto
Quando quiser

Regressar

E a manhã está linda
E quero tudo
Amor e indiferença

-E porque o outono não existe apenas para justificar a primavera-
Escrevo de novo
Na foto que ainda vou tirar

Guarda para expôr: quando regressar, dê-me tudo
E nada mais

Publicado em:  on 18/08/2008 at 13:45 Deixe um comentário
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Vazada

Vi o objeto ao varal

Vermelho

Despudoradamente livro

Livre

De minhas mãos

– que tentavam, em vão, segura-lo –

Vazava

Do romance-poema

Espirais e quadrados

Vi o objeto-varal

Despudoradamente velho

Vermelho-livre

Livro de minhas mãos

Vãs

Vão vazava Avalovara-romance

Poema de quadrados espirais

Devorei-o

Despudoradamente vermelha

Velha veia vã

Desmedidamente vazada

Aglutinada

Espiralada

Enquadrada ao poema-romance-palavra

Canabalizei signos

Ressignifiquei vãos

Carnavaliza-ação

Fagia de Antropos

– sem Antas –

OsMaldianamente

(sebo USP e Campinas sem sol – 27/06)

Publicado em:  on 03/08/2008 at 05:00 Deixe um comentário
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Nu entanto

(Gustavo Saba)

Aventura na Casa Atarracada

 

Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: – Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

 

Contagem regressiva

 

Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros

pelo menos três ou quatro rostos que amei

Num delírio de arquivística

organizei a memória em alfabetos

como quem conta carneiros e amansa

no entanto flanco aberto não esqueço

e amo em ti os outros rostos

 

Ana Cristina César

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

 

- um passo. outro. só hoje.
vazada.

amanhã veremos.

amarelo é amarelo.
vermelho é vermelho. sem complicações.
sem explicações nem projeções.
porta e bocas abertas. mais nada. agora.

amanhã nos veremos. veremos

o que há
de novo.
-

Publicado em:  on 04/07/2008 at 04:15 Deixe um comentário
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454 Sampas

De um baiano:

… de outro baiano:

de japoneses
húngaros
italianos
de Santa Rita de Sampa
de tráfegos e tráficos
de corredores abarrotados

São Paulo é todas
é de todos nós:

megalópole-garoa
(que) des-
constrói
coisas/belas

Sou eu
é você
são elas

apartando cidades no meu peito.

Publicado em:  on 25/01/2008 at 23:26 Deixe um comentário
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It´s just something that we do

mulher-praia.jpg

Vontade de viver assim: um pouco mais à vista, um pouco mais à toa, um pouco mais garoa, com muito mais cartão.

Vontade de escrever assim: um pouco mais na brisa, um tanto mais na brasa, Deus disse: “desce e arrasa” e aqui, algum botão.

Vontade, aqui, de espinhos
e poucas mãos sangrando.
Vontade, mesmo, de língua
e todo um céu brotando.

Vontade da tua carta na minha caixa de entradas
e nenhuma despedida na caixa de saídas

-vontade de saídas
pra todos os lados
saídas de banho
pra que te quero?-

Vontade de mais enters
menos escs (ask me why)

Vontade de saber que, no fim, o F5 ainda funciona. E que chegará o domingo em que Fausto morrerá com tudo dentro. Ou sairá, em uma interminável férias…

Vontade de férias do medo
do escuro
do vazio
do agudo

Vontade de gata, de deitar na rede que é gozo
e me lambuzar
de tanta existência.

Vontade de desistência
de tudo o que queria nascer
abortado.

Vontade de que? De passado?
Nunca!
Só se for a limpo, que acabo de matar o objeto.

Vontade de me saber una
e mais livre
com teu sorriso by gtalk

e a felicidade de não depender de mais nada…
(celular: vibre, por favor!)

(Antiga…)

man.jpg

Eu

Olhares
Faces
Sorrisos
Facetas
Língua
Boca
Buceta
Poros
Nós
Bocas
Dentes
Línguas
Trava-línguas
Gengivas
Pedras
Água, sal
Falo, falos, conversas, teclados, visores, ouvidos-sem-tímpanos, palavras, pá-lavras, idéias, sementes, projetos, fuga, não-dito, mal-dito, ditados, deitados, silêncios, calados, cálidos, sozinhos, caminhos, buracos, frio, solidão, joguinhos, textículos, machados, flores-sem-papel, promessas, vírgulas, pontes

Você

Publicado em:  on 10/12/2007 at 00:33 Deixe um comentário
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