
(Gustavo Saba – Erosão de Eros)
Todos os lugares, Hoje de 2008
Num impulso de lhe responder, sem querer me conheci. E me abri a novas perguntas. Mas pretendo editá-las ao longo do caminho, sem me adiar demais, sem me amar de menos. E posso dizer que, se fosse, agora, dar nome ao disparate abaixo, cambaleava: Manual da alma feminina? Pedigree da alma-fêmea? Dúvida de uma transeunte que caminha 100% nos sentidos da razão, 100% no cemtidos da paixão.
– talvez, ao nos depararmos com as fraquezas da vida, encontramos, no aparente precipício, a Força mítica. Estou certa? Eu descubro. –
Mas, apenas para não me alongar demais nas respostas de menos, segue o confessionário. De hoje.
Direitos desrespeitados das mulheres. Muito meus. Posso confessar?
:
1) Do direito à TPM sem culpa, e tudo o que ela pressupõe (desejo de matar ou morrer, solidão, insônia, dramas, angústias, arrependimentos próprios seguidos de risadas intermináveis por uma piada mais ou menos sem graça e novas lágrimas com a propaganda da Doriana);
2) Do direito a chocolates sem calorias;
3) Do direito ao colo e à in-dependência declarada;
4) Do direito às manhas e às manhãs (citação, vc sabe);
5) Do direito ao trânsito livre entre o salto alto e a pantufa de bichinho;
6) Do direito a dar e receber carinhos sem hora marcada;
7) Do direito a se encantar com a chuva e esquecer da chapinha;
8 )Do direito a não ser sexy 24 horas por dia, 7 dias por semana;
9) Do direito ao amor com sexo, ao amor sem nexo, gritado ou sufocado;
10) Do direito a odiar amar Chico Buarque, Sartre e afins.
(Só pra citar os mais (im)prováveis)
Sobre Chico: Mulheres de Atenas são apenas algumas delas. Eu sou TODAS, de Geni a Terezinha. Também passei em exposição às vitrines e enxerguei, nas galerias, as Passagens de Walter Benjamin. Nos meus olhos, pude ver as vitrines e o nascimento de novos fetiches. A Metrópole (re)nascia a cada clarão, mas quem escorregou pelos vãos catando a poesia deste homem-fêmea fui eu.
Mea-culpa.
Amo.
E, como no “museu de grandes novidades”, esse amor não tem passado, não tem futuro. É um presente. Continuum. Matéria bruta que se decanta em composições mais, ou menos, (a)simétricas. Sem fins lucrativos.
Meu Amor não tem tempo. É um aqui constante.
E se bater à sua porta, com Ana ou Carolina, vestida ou sem-vergonha, saiba que todas as Beatrizes – de Dante a Chico, e mesmo as da feira – estão presente(s).
Não abra se só for capaz de olhar sem ver.
Mas escreva quando puder a esta,
Mulher de Passagem.
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O Passageiro: http://www.papodepassageiro.blogspot.com