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Já chegou aos 30?
Não se preocupe, caro leitor, trata-se de uma pergunta meramente retórica. Também ainda não atingi esta idade “redonda”, mas a rodeio desde meus 21 anos. Acho que é a crise-nada-econômica que nos invade.
E o pior é constatar que o tempo só anda para frente mesmo, e enfrentar que a sombra do futuro tantas vezes ainda há de encobrir nosso presente.
Dúvidas, emoções mais fortes, lágrimas mais econômicas… A famosa “sapiência” que antes vc só via em seus pais e tios mais VELHOS e que, finalmente, atingiu sua personalidade em cheio. Mudo: não se trata de sapiência (êta palavrinha velhamente respeitável… outra palavra idosa). Trata-se, isto sim, de prudência.
Antes você se jogava mais, não é? Arrependia-se menos, não é?
A palavra “planejamento” só era usada para véspera de viagens… e “cálculo” era uma matéria muito chata da faculdade… Calcular riscos, então, só se fosse os de levar um fora do cara de jaqueta de couro lá no balcão do bar (deixo que mudem os sexos, dependendo da situação do leitor).
Pois é… é a crise bem antes dos 30, que nos ronda a todos.
Acordei com ela e, de repente, me dei conta de que a dita-maldita já dividia minha cama em 2 há um bom tempo…
(Fel, feliz aniversário atrasado. E saiba que isso já me consola: saber que, não importa o que eu faça, vc sempre chegará na minha frente… hehehhe)
Não me venham cumprimentar pelo dia da …
Não me venham cumprimentar pelo dia da mulher enquanto não criam um dia internacional do homem também!
Aceito os abraços sinceros, a amizade em tempos (ou não) de TPM, os chocolates e a compreensão.
Para além, só poesia.
Pessach
Às vezes eu me pergunto: qual a vantagem de saber escrever quando não se sabe dizer, em palavras, aquilo que realmente se está sentindo?
E qual o valor das palavras quando tudo o que se tem dentro e fora de si é solidão?
Quando os amores calaram e as amizades se distanciaram; quando os laços se afrouxaram e só restam as lembranças do que um dia foi possível… É possível escrever sobre o que quando todas as lições que recebemos da vida nos ensinam que calar os sentimentos é, via de regra, mais saudável à saúde do jogo social?
E quando não se quer mais jogar? Abandonamos o jogo ou, na verdade, apenas brincamos sozinhos?
Não é possível que o melhor de mim seja o meu silêncio! Que a melhor medida sejam as desculpas. Que a melhor melodia sejam os ruídos! Que a melhor distância seja a ausência.
Não sinto isso.
E, no entanto, tenho aprendido cada vez mais a me calar.
Nós, mulheres, aprendemos muito cedo a amar o impossível, através dos contos de fadas. Talvez isso explique minha atual obsessão por cavalos marinhos. Também aprendemos a encarar as outras mulheres como rivais. Talvez isso explique a necessidade de plásticas e compras constantes.
Mas somos inabaláveis quando confiamos!
Talvez isso explique a força da nossa amizade, quando sincera.
É Páscoa e tenho me sentido cada vez mais só.
Meu irmão faz o possível pra me suprir as ausências, mas tem lágrimas que apenas outras mulheres entenderiam. E as “minhas” mulheres estão longe. Minhas duas irmãs, que eu demorei tanto pra descobrir. E que hoje me entenderiam antes mesmo de eu abrir a porta.
Porta que está cada vez mais difícil de se abrir.
Resposta(s) aberta(s) a um Passageiro

(Gustavo Saba – Erosão de Eros)
Todos os lugares, Hoje de 2008
Num impulso de lhe responder, sem querer me conheci. E me abri a novas perguntas. Mas pretendo editá-las ao longo do caminho, sem me adiar demais, sem me amar de menos. E posso dizer que, se fosse, agora, dar nome ao disparate abaixo, cambaleava: Manual da alma feminina? Pedigree da alma-fêmea? Dúvida de uma transeunte que caminha 100% nos sentidos da razão, 100% no cemtidos da paixão.
– talvez, ao nos depararmos com as fraquezas da vida, encontramos, no aparente precipício, a Força mítica. Estou certa? Eu descubro. –
Mas, apenas para não me alongar demais nas respostas de menos, segue o confessionário. De hoje.
Direitos desrespeitados das mulheres. Muito meus. Posso confessar?
:
1) Do direito à TPM sem culpa, e tudo o que ela pressupõe (desejo de matar ou morrer, solidão, insônia, dramas, angústias, arrependimentos próprios seguidos de risadas intermináveis por uma piada mais ou menos sem graça e novas lágrimas com a propaganda da Doriana);
2) Do direito a chocolates sem calorias;
3) Do direito ao colo e à in-dependência declarada;
4) Do direito às manhas e às manhãs (citação, vc sabe);
5) Do direito ao trânsito livre entre o salto alto e a pantufa de bichinho;
6) Do direito a dar e receber carinhos sem hora marcada;
7) Do direito a se encantar com a chuva e esquecer da chapinha;
8 )Do direito a não ser sexy 24 horas por dia, 7 dias por semana;
9) Do direito ao amor com sexo, ao amor sem nexo, gritado ou sufocado;
10) Do direito a odiar amar Chico Buarque, Sartre e afins.
(Só pra citar os mais (im)prováveis)
Sobre Chico: Mulheres de Atenas são apenas algumas delas. Eu sou TODAS, de Geni a Terezinha. Também passei em exposição às vitrines e enxerguei, nas galerias, as Passagens de Walter Benjamin. Nos meus olhos, pude ver as vitrines e o nascimento de novos fetiches. A Metrópole (re)nascia a cada clarão, mas quem escorregou pelos vãos catando a poesia deste homem-fêmea fui eu.
Mea-culpa.
Amo.
E, como no “museu de grandes novidades”, esse amor não tem passado, não tem futuro. É um presente. Continuum. Matéria bruta que se decanta em composições mais, ou menos, (a)simétricas. Sem fins lucrativos.
Meu Amor não tem tempo. É um aqui constante.
E se bater à sua porta, com Ana ou Carolina, vestida ou sem-vergonha, saiba que todas as Beatrizes – de Dante a Chico, e mesmo as da feira – estão presente(s).
Não abra se só for capaz de olhar sem ver.
Mas escreva quando puder a esta,
Mulher de Passagem.
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O Passageiro: http://www.papodepassageiro.blogspot.com
Sem mais para o momento,
Ontem à noite, em telefonema com Ivan Hegenberg - amigo querido há tempos – fiz a seguinte crítica ao seu(dele) blog: EU QUERO POSTAR COMENTÁRIOS E VOCÊ NÃO DEIXA, SEU VAIDOSO INSENSÍVEL!!! Ao que eu ouvi a seguinte-sábia-coerente resposta:
“Não é que eu seja vaidoso e não queira ouvir a opinião dos outros sobre os meus textos. Pelo contrário. Gosto de ouvir especialmente críticas. Mas, quando abro o blog a comentários, fico fissurado por respostas e, quando elas vêm, isso aumenta ainda mais o meu ego. Não gosto disso.”
Eis o motivo de eu transcrever livremente um pequeno trecho de minha conversa com Ivan: este blog continua aberto a comentários mas conta agora, também, com a opção da língua!! É fácil. É livre. Só não mande vírus, que eu denuncio.
(Ah, Ivan, queria ser livre como vc…)
Na verdade, estou tentando desativar os comentários, mas sou uma patsa e faço a mínima de como essa coisa funciona… Se alguém souber, dê-me um toque por aqui. É, aqui mesmo, no “aqui“, oras!
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PS: Ivan está numa busca muito honrada por um texto coletivo do qual ele fez parte. Pau latino. Quem puder ajudar ou quiser ler mais sobre este desespero que consome o rapaz, veja o link dele lá em cima, ou em “Subcutaneamente”. Tnk´s.
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Antes da referida conversa acima, levei um tapa na cara, mas em alto-estilo: francês-tupiniquim, com gosto de chorinho-além-mar.
O algoz: Heitor da Pedra Azul.
Também querido amigo, músico, sensível. E sincero, como poucos.
Heitor perguntou, com pouca sutileza – o que lhe deixa ainda mais interessante – quando vou voltar veramente à poesia. Sugeriu, ainda, que meu blog está às moscas e perguntou quanto eu tenho faturado no mercado, trabalhando em uma agência de publicidade.
(Desculpem a decepção, mas esta parte é verdade: estou numa agência de publicidade. Mas minha alma continua intacta! Eu nem a trago quando venho trabalhar.)
Ao que eu respondi, como que para me justificar: “Heitorzinho, ainda tenho minha editora, lembra? E estamos trabalhando bastante, com vários projetos interessantes para o começo do ano que vem…”
Mas logo caiu minha conexão e ele achou que eu o deixei falando sozinho.
Heitor, você ainda está aí? Câmbio.
