palavra-sêmen

projeto ChisteXtura-Virtual.
concepção, poema e edição: Beatriz Galvão.
música: Cursum Perficio, Enya (Watermark)

Publicado em: on 24/09/2009 at 23:34 Deixe um comentário
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Livro como um cartão de visita

Carlos Augusto Lima

Há os que escrevem e silenciam. Discretos, maquinando palavras, atos e omissões sem culpas, sem grandes culpas. Há os que escrevem e acham um viés de gritar, fazer estrido e paquerar com o sucesso. Há os que escrevem e se desesperam com a ausência do sucesso, da glória, do estrelato, do grande contrato editorial. Meu Deus! tende pena destes coitados. Ameniza, Senhor, tamanho sofrimento. Há os que escrevem só por vontade, por um nada, pelo simples querer.

Há também aqueles que escrevem e se reconhecem como tais, ou problematizam esse reconhecer: o que é escrever? Que publicam, circulam, são publicados, vistos, admirados na medida (qual medida?), organizam o movimento e, ao mesmo tempo, podem silenciar, não dizer de nada, daquilo, estar apontando isso ou aquilo. Há os que escrevem e podem calar. Entrar no jogo da mercancia do livro, mas podem transformar a ideia do livro no gesto diminuto da companhia, de saudar as companhias, as amizades. Livros como um agradecimento. Livros como uma graça, ou, quem sabe, cartões de visita.

Lembro desse gesto ao vasculhar minha pobre biblioteca, ainda ajustando os livros na ordem, alguma ordem que vai surgindo lentamente, que vai sendo adiada, mas cumprida, feita, na medida do possível, do fazer. Vejo entre os achados os delicados livrinhos ofertados a mim pelo poeta e amigo Heitor Ferraz. Livros artesanais, se entendermos a artesania de hoje como aquela em que nos auxilia um computador qualquer e impressora das mais caseiras. Papel A4 comum para o miolo, um outro de mais fino trato para a capa, comprado de passagem e nem tanto de resma. Um grampeador muito simples. Livros feitos em casa, tanto que sua editora imaginária chama-se ´Livros da Casa´. Para os amigos, um gesto do singelo e do agrado. Três volumes para mim: ´Dias assim (só para fumantes)´, ´Um a menos´, ´Improvisos´, este último com o registro da visita dos amigos que estão de passagem por São Paulo, naquele Julho de 2008, em que a memória nos coloca de volta, caminhando na madrugada e uma lâmina de vento frio corta as orelhas, mas não impede o riso frouxo, a malícia, alguma possibilidade de alegria adiando o enfrentamento do mundo quando amanhece. Eu de cá agradeço em silêncio, enquanto releio os poemas de Heitor e suas intermináveis caminhadas para algum lugar onde não se sabe onde dentro de si mesmo.

Vasculho, vasculho, vasculho e encontro um envelope vermelho a mim recém ofertado e dentro do mesmo um livrinho vermelho de igual artesanato, folhas imperfeitas que saltam para além da capa, o bonito que sobra da imperfeição: ´That´s Amore´, de Virna Teixeira, que chegou numa noite quente e chuvosa, os amigos já dispersos da noite festiva em casa, mas chegou como quem era há tempos aguardada, como quem retorna para casa de viagem longa. Na bagagem, Virna me trouxe esse livro que é como um também cartão de visita, um postal de viagem, as suas viagens pela tradução em 13 poemas de amor, amores, vertidos por ela diretamente do inglês ( em sua maioria) ou do francês. Versos de Appolinaire, Tzara, Robert Creeley, William Carlos Williams, Ted Hughes e outros, embalados, dobrados e costurados de próprio punho, ela me conta, em 50 exemplares, carimbados e numerados, um ofício que lhe exige concentração e precisão, daí, um nome bonito e sugestivo para o que já virou um selo, sua editora que traz no bolso: Arqueria.

Os poemas de ´That´s Amore´, suas traduções, foram publicados no blogue que Virna Teixeira (http://www.papelderascunho.net) mantém para o exercício do poema e da tradução. A idéia de transportá-los para o livro, de fazer os livros de próprio punho tem a ver com a dificuldade eterna de publicar em massa, principalmente traduções. Nada que uma impressora caseira e uma boa dose de disposição não resolvam. Resolvem? Você, futuro poeta, se dará por satisfeito? Sentirá-se feliz com estes gestos do mínimo? Poesia, meu caro, é a arte da paciência e de seus limites.

Volto com os livros para a estante. Há outras coisas por mostrar e dizer. Mas agora não é hora. Agradeço a Heitor Ferraz sua lembrança e a falta dos amigos de longe se amplia e cava como um gesto mais fundo. Agradeço a Virna pelo envelope vermelho e pelo que veio dentro dele. Mas fico feliz ainda mais porque é como alguém que retorna, parte, mas promete, dessa vez, voltar. A qualquer hora tomo de uma coragem e copio essas ideias bonitas e faço um livro que é pura oferta e amizade. Não tenho a menor idéia do que dizer, mas o título retiro agora do cumprimento que saco para alguém que me chega em casa, interrompendo este artigo que termina. Alguém que veio de longe, de um sertão que não lembro o nome: ´Fique à vontade, a casa também é sua´.

(Fonte: Caderno 3, Diário do Nordeste)

Publicado em: on 14/04/2009 at 03:27 Deixe um comentário
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poesia hipermidiática

São raros os momentos de ARTE, como este:

Publicado em: on 10/04/2009 at 02:47 Comentários (1)
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Reflexões desta madrugada

Publicado em: on 08/04/2009 at 05:05 Deixe um comentário
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Arte de qualidade a todos

Finalmente, alguém que (re)pensa o velho modelo de atuação e de arte-para-artistas.
Aplauso de pé pela iniciativa. E estaremos esperando a estreia (já sem acento) em São Paulo!

 

(Fonte: Folha Ilustrada de hoje)

Fernanda Montenegro encarna Beauvoir em monólogo

LUCAS NEVES

O acaso tem sempre a última palavra, disse certa vez a filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986). Um de seus desígnios recentes foi o de reconduzir aos palcos a atriz Fernanda Montenegro, 79, depois de um hiato de sete anos, no papel mesmo da intelectual feminista e artífice do existencialismo.

O monólogo “Viver sem Tempos Mortos”, que apresenta o pensamento e os amores de Beauvoir a partir da correspondência dela com o marido, o também filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), teve sua primeira apresentação anteontem à noite, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Marcos César Santos

Fernanda Montenegro interpreta Simone de Beauvoir em “Viver sem Tempos Mortos”
“Foi o acaso que me levou a Simone. Não trabalhava com o meu amigo Sérgio Britto havia 39 anos. Resolvemos fazer uma peça juntos. Apareceu um texto sobre [o dramaturgo russo Anton] Tchecov (1860-1904), mas pegaram-no antes de nós. Depois, surgiu ‘Tête-à-Tête’, biografia da relação de Sartre e Beauvoir. Aí veio o sucesso do Sérgio com ‘A Última Gravação de Krapp/Ato sem Palavras 1′. Ele então ficou lá com o [autor dos textos Samuel] Beckett (1906-89), e eu segui sozinha com a Simone”, contou a atriz, em debate após o espetáculo.

Antes, sentada numa cadeira por 50 minutos, ela havia feito uma síntese didática e abrangente da vida da escritora –as primeiras reminiscências remontando à infância.

Aos 21 anos, ao prestar exames para a licenciatura em filosofia, Beauvoir é apresentada à confraria de René Maheu (1905-1975) e Sartre, tido à boca pequena como “um devasso, frequentador de prostíbulos”.

Com ele, descobre mais do que filmes de caubói e romances de capa-e-espada: a extensão do feminino e o amor livre. Ou não tão livre assim, já que não conseguirá esquecê-lo quando a guerra os afastar geografica (ele serve ao Exército) e, mais tarde, afetivamente.

Encenação econômica

O texto também relembra a ascensão do existencialismo como produto cultural de exportação francês no pós-guerra e o sucesso do livro “O Segundo Sexo”, em que Beauvoir propõe um olhar sobre a mulher que não tome o masculino como referência, farol absoluto.

A encenação, dirigida por Felipe Hirsch, é austera, econômica, confia à palavra o protagonismo. No palco, há só um tablado retangular preto encimado por uma cadeira da mesma cor. Também pretas, estruturas discretas abrigam refletores superior e laterais. O rigor lembra o teatro nu de Peter Brook.

“Viver sem Tempos Mortos” integra um projeto de formação de plateias, que inclui a exibição comentada de filmes com Fernanda Montenegro, um documentário sobre Beauvoir e debates. A “caravana” cruzará a Baixada Fluminense e a região serrana do Rio antes de chegar a São Paulo, em 21/5.

“Há quem diga: ‘Vai levar esses intelectuais ao povão?’ Acho que o silêncio do público durante a peça e as perguntas no debate afirmam a qualidade dessas plateias [de fora dos polos culturais], mostram que elas estão prontas para qualquer temática”, afirmou a atriz.

Publicado em: on 04/04/2009 at 16:30 Deixe um comentário
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Let´s Twitter!

MELBOURNE – Flagrado mandando mensagens no Twitter ou no Facebook durante o trabalho? Isso o tornará um funcionário melhor, segundo um estudo australiano que mostrou que navegar na internet por diversão durante o expediente aumenta a produtividadeO estudo feito pela Universidade de Melbourne mostrou que pessoas que utilizam a web para fins pessoais no escritório são quase 9% mais produtivas do que aquelas não o fazemO autor do estudo, Brent Coker, do departamento de administração e marketing, afirmou que “navegar na Internet por lazer no trabalho”, ou WILB (na sigla em inglês), ajuda a aprimorar a concentração dos empregados”As pessoas precisam relaxar um pouco para voltarem a se concentrar”, disse Coker no site da instituição”Pausas curtas e moderadas, como uma rápida navegação na Internet, permitem que a mente descanse, levando a uma concentração total maior para o dia de trabalho e, como resultado, aumenta a produtividade”, acrescentou eleSegundo o estudo feito com 300 funcionários, 70% das pessoas que usam a Internet no trabalho se encaixam na categoria WILBEntre as atividades mais populares de lazer estão a busca por informação sobre produtos, leitura de notícias e sites, jogos online e vídeos no Youtube”As companhias gastam milhões em softwares para impedir que seus empregados assistam a vídeos, acessem sites de rede social ou façam compras online com o pretexto de que isso custa milhões em perda de produtividade”, explicou Coker.

“Nem sempre este é o caso”Entretanto, Coker afirmou que o estudo procurou pessoas que navegam com moderação, ou ficam na Internet menos de 20 minutos do tempo total que passam no escritório.

Fonte Abril Notícias.

Publicado em: on 02/04/2009 at 15:27 Comentários (2)
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Poiesis mapeia pontos de poesia na Grand …

Poiesis mapeia pontos de poesia na Grande São Paulo: http://ourivesariadapalavra.blogspot.com/

Publicado em: on 18/03/2009 at 22:39 Deixe um comentário
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vale uma espiadinha: http://www.coraline …

vale uma espiadinha: http://www.coraline.com/

Publicado em: on at 22:38 Deixe um comentário
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Cultura

ASSINEM!
 
To:  Governo Federal e Congresso Nacional

MENOS IMPOSTOS PARA A CULTURA, MAIS DESENVOLVIMENTO PARA O BRASIL 

Na segunda quinzena de dezembro de 2008, quando a atenção de todos se voltava para a virada do ano, o Governo sancionou a Lei Complementar nº 128/08, que prejudica – e muito – as produtoras audiovisuais, de artes cênicas, escolas de arte e os produtores de cultura em geral. 

Com a lei as empresas de produção cultural, que haviam conquistado o direito de participar do Simples, e estavam enquadradas nos anexos III e IV da LC nº 123/06, foram reenquadradas no Anexo V, em decorrência do disposto pelo art.3º da LC nº 128/08. Isso representou altíssima majoração na carga tributária do setor, que incide sobre a arrecadação bruta, passando do mínimo de 6% na lei anterior para o mínimo de 17,5% na nova lei. 

Num cenário de crise econômica mundial, em que o Governo estimula setores da economia com desoneração tributária e vultosos empréstimos para investimento, é inadmissível que o setor cultural seja sacrificado com tal medida, a qual provocará milhares de demissões no segmento. Atrelado a isso, o Ministério da Cultura teve seu orçamento cortado em 78% e propõe a alteração de principal mecanismo de financiamento à cultura. 

As medidas contrariam a tendência mundial de investimento e incentivo público ao setor econômico que mais cresce, gera empregos e sustentabilidade no mundo. 

Diante de tamanha insensibilidade governamental, as pessoas e organizações abaixo assinadas, que representam artistas, produtores, produtoras, empresas que geram emprego e renda na área, vêm a público repudiar o aumento da carga tributária do setor e pedir providências urgentes do Executivo e do Legislativo no intuito do retorno à carga tributária anterior.

Sincerely,

The Undersigned



View Current Signatures 

  http://www.PetitionOnline.com/ip9s1234/

Publicado em: on 09/03/2009 at 04:47 Deixe um comentário
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Flap 2008

Flap 2008

Flap 2008

FLAP! 2.0 08
Zona Franca – Viva La Conexión!

www.flap2008.worpress.com

De 1º a 8 de agosto | São Paulo, gratuito

 

Zona Franca nos remete à idéia da troca comercial entre nações e delimita um território onde há o estímulo à circulação do capital financeiro.  A proposta da FLAP! 2008 é adulterar esse conceito, transplantando-o para contexto cultural. A exemplo do Festival Tordesilhas, que em 2007 propôs um amplo debate de autores ibero-americanos, a FLAP! alarga suas fronteiras, convidando para sua quarta edição mais de 20 escritores latino-americanos.

O programa traz uma semana inteira de eventos, com trocas de experiências entre diferentes gerações, saberes e lugares. Da zona leste a oeste, passando pelo sul e sem abandonar o centro, a FLAP! acontecerá em centros culturais diversos, estimulando o contato entre autores, produtores culturais, acadêmicos, estudantes e interessados em geral. Como essencial ao espírito do evento, permanecem a informalidade, os debates apaixonados e a ampla participação do público.

O portuñol será idioma oficial do evento, que por oito dias agregará uma comunidade cujo principal traço é o interesse pela literatura contemporânea e a sua relação com as outras artes. No melhor espírito 2.0 08 e com tecnologias simples, nada além de um blogue e uma webcam, os organizadores transmitem, ao vivo e com chat, discussões sobre o evento e leitura de poemas (via www.ustream.tv). Outra inovação é evidenciar a rede de blogues amigos, o uso do twitter e contar detalhes de “como se organiza o evento” nas postagens. Os convidados latinos também poderão escrever diretamente no blogue oficial do evento. Y viva la conexión!

 

Blogue: www.flap2008.wordpress.com

Programa: http://flap2008.wordpress.com/programacao-sp

Contato: contato.vacamarela@gmail.com

Publicado em: on 24/07/2008 at 14:09 Deixe um comentário
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