Lost in Translation

Stay or leave

I want you not to go
But you should
It was good as good goes
Stay or leave
I want you not to go
But you did

So what to do
With the rest of the day’s afternoon hey
Isn’t it strange how we change
Everything we did
Did I do all that I should?

That I coulda done?

Publicado em: on 13/08/2009 at 02:00 Comentários (2)
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nightmare

abismo2

não tinha medo de quebrar gestos, raspar o gelo, lamber por ócio a indiferença. não tinha. o prazer era tudo o que sabia fazer. ócio. ambiguidade. indigestão. quebrou.

ele veio e lhe disse nos olhos
não-olhando
(face conjugada com a morte da doçura)
:
melhor pararmos por aqui. te amo demais e tenho medo de sufocar.

faz sentido?

nunca fez. nem juntos… por que fariam separados?

- a colher abaixo do travesseiro
reti(n)a
as lágrimas caídas por descuido -

cuide de tudo
cuide de si

(exposição? não. seu talento era para a histeria.)

cuidado: era tudo o que ele não teve ao rasgar a porta cortando-lhe os pulsos
aindapulsa
lamba a colher menina-sonho. e escolha a melhor hora para pul

AR!

faz diferença estar aqui dentro ou lá embaixo?

e se amanhã eu não lhe escrever, saiba que meus olhos ainda estão com você.

Publicado em: on 11/08/2009 at 03:45 Deixe um comentário
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hoje

CASAL-1

vontade é uma coisa que dá.
e passa?

Publicado em: on at 03:10 Deixe um comentário
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Cor-respondência

“Repito:

Se meta na minha vida!
Outra vez, meta!
Remeta!”

- Elisa Lucinda

Publicado em: on at 01:03 Deixe um comentário
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Love must be like this

dando flor

“Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência.”

FERNANDO NAMORA – O Verdadeiro Gesto de Amor in ‘Jornal sem Data’

(recebido de meu querido amigo Jace. Beijo n´alma, querido!)

Publicado em: on 09/08/2009 at 23:17 Deixe um comentário
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Dois cílios em pleno ar

“Corre a lua, por que longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por essa noite” – Relicário

(Esta noite, que não teve. Não teve.)

Publicado em: on 30/07/2009 at 22:40 Comentários (2)
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Amores e mudanças

contardo_calligaris

Como esbarrar num amor que nos transforme?
O filme “Tinha que Ser Você” dá uma dica preciosa


QUANDO A VIDA da gente está emperrada (o que não é raro), será que faz sentido esperar que um encontro, um amor, uma paixão se encarreguem de nos dar um novo rumo? Provavelmente, sim -no mínimo, é o que esperamos: afinal, o poder transformador do encontro amoroso faz o charme de muitos filmes e romances.

Os especialistas validam nossa esperança. Jacques Lacan, o psicanalista francês, dizia, por exemplo, que o amor é o sinal de uma “mudança de discurso”, ou seja, na linguagem dele, de uma mudança substancial na nossa relação com o mundo, com os outros e com nós mesmos. Claro, resta a pergunta: o que significa “sinal” nesse caso?

Duas possibilidades: o amor surge quando está na hora de a gente se transformar ou, então, é por amor que a gente se transforma. Não é necessário tomar partido: talvez as duas sejam verdadeiras.

Seja como for, volta e meia, alguém me pede uma receita: como esbarrar num amor que nos transforme? A resposta trivial diz que os encontros acontecem a cada esquina: difícil é enxergá-los e deixar que eles nos transformem, ou seja, difícil é ter a coragem de vivê-los. Aqui vai um exemplo.

O filme “Tinha que Ser Você”, escrito e dirigido por Joel Hopkins, além de ser uma pequena dádiva, oferece uma “dica” preciosa sobre as condições que fazem que um amor “engate”. É a história de um encontro ao qual os protagonistas tentam dar uma chance -a chance de transformar suas vidas.

Parêntese. Harvey (Dustin Hoffman) está na casa dos sessenta, e Kate (Emma Thompson) na dos cinquenta. É possível ver no filme uma parábola em prol da ideia de que nunca é tarde demais para deixar que um amor nos dê um novo rumo.

O título original, “Last Chance Harvey” (última chance Harvey), iria nessa direção: é agora ou nunca. Pode ser, mas talvez toda chance que a vida nos dá seja mesmo a nossa última.

Fora isso, o filme começa nos mostrando que a vida de Harvey é tão emperrada quanto a de Kate. Em ambos, há uma certa decepção por não conseguir (ou não ter conseguido) aventurar-se a viver seus sonhos -ser pianista de jazz para Harvey, e romancista para Kate. Os dois estão sozinhos e conformados com uma certa mediocridade afetiva: Kate se encaminha para ser a filha que cuidará para sempre da velha mãe, e Harvey já desistiu de ser o pai da filha de quem ele se distanciou, muitos anos antes, no divórcio que o separou da mãe dela.

Em suma, Harvey e Kate estão precisando de uma mudança.

Por que o encontro de Harvey e Kate teria mais sucesso do que os encontros às escuras que Kate se permite, de vez em quando? Por que eles não balbuciariam apenas a estupidez inibida que é habitual nesses casos? Simples, mas crucial: a conversa deles começa com uma sinceridade quase cínica. A “cantada” inicial de Harvey é o oposto do fazer de conta que é a regra das relações sociais, pois Harvey se apresenta confessando o fracasso de sua vida.

Logo, Harvey e Kate passeiam por Londres discorrendo e se conhecendo. Os espectadores descobrirão se eles saberão dar uma chance ao encontro ou, então, voltarão cada um para seu “conforto”.

O passeio pela cidade evoca dois filmes de Richard Linklater, que estão entre meus preferidos, “Antes do Amanhecer”, de 1995, e “Antes do Pôr-do-sol”, de 2004.

No primeiro, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) encontram-se, passam um dia nas ruas de Viena e, enfim, separam-se. No segundo, eles se encontram de novo, em Paris, nove anos depois, e, também passeando, imaginam, de alguma forma, a outra vida que poderia ter sido a deles se, no fim daquele dia em Viena, eles tivessem apostado no futuro de seu encontro.
Aqui, uma recomendação prosaica que emana dos três filmes: se você procura um grande encontro amoroso, sempre use calçados confortáveis, porque nunca se sabe por quantos quilômetros se estenderão suas deambulações amorosas.

Brincadeira à parte, os filmes de Linklater talvez sejam mais tocantes -entre outras coisas, porque eles conferem uma beleza melancólica a uma desistência que é muito parecida com as renúncias às quais nos resignamos a cada dia. Mas o filme de Hopkins, “Tinha que Ser Você”, é mais generoso, porque ele nos deixa com uma sugestão: o diálogo que leva ao amor, que dá a cada um a vontade de se arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas.

(Texto de Contardo Calligaris)

Publicado em: on 05/07/2009 at 20:49 Deixe um comentário
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As possibilidades do Amor pós-moderno

“Meu amor é algo infinitamente precioso, que eu não tenho tempo de desperdiçar sem prestar contas”
– Freud

Numa noite dessas, insone – para variar –, eis que me descubro perambulando pela internet, sem muita paciência de me fixar em nada. Encontro, então, no site da CPFL Cultura, um vídeo do café filosófico de Catherina Koltai, sobre a família pós-moderna.

O pós-modernismo, segundo a psicanalista, teria se iniciado a partir da Revolução Francesa e seria marcado, sobretudo, por uma economia neo-liberal e um individualismo exacerbado; por uma cultura do hedonismo, do prazer a todo custo no aqui e agora; pelo delírio consumista e um desinteresse e desinvestimento no social. É como se, no mundo pós-moderno, nós desacreditássemos na possibilidade de mudança social. Todos estes fatores conjugados interfeririam diretamente em nosso conceito de Família, não representando, entretanto, o fim desta instituição. Logicamente, o conceito de Amor também se modifica dentro desta estrutura.

A família pós-moderna está menor, sendo considerados no núcleo familiar apenas a mãe, o pai e os filhos (quando muito), e não se baseia mais nem no amor romântico, nem no conceito de fidelidade. Hoje, os laços de casamento são procurados por laços de relações íntimas e sexuais, e quando há insatisfação, há maior possibilidade de separação. As perguntas que podemos levantar são: será que o fato dos laços terem se tornados tênues prejudica o novo conceito de família? É possível amar em liberdade? Catherina Koltai defende que depende da forma como vamos ler tais questões. Depende, inclusive, da forma como entenderemos os conceitos de felicidade e infelicidade.

Neste momento da palestra, Catherina introduz alguns tópicos do livro “O mal-estar da civilização”, de Freud, e inicia a explicação sobre os 3 fatores que atrapalhariam a felicidade humana:

  1. A natureza, que é sempre mais poderosa que o homem. Não se consegue dominá-la completamente;
  2. A decadência do nosso corpo. É o fato de sermos mortais, adoecermos e envelhecermos. A vida tem sempre um limite.
  3. E o mais importante: o convívio com meu semelhante (como diria Sartre: “o inferno são os outros” – citação minha).

O paradoxo de tudo isso está no fato de que se, por um lado, o convívio com nossos semelhantes nos impede a total felicidade, por outro, o isolamento é impossível. O homem criou a civilização, a família e o Estado para sobreviver à natureza. E, para fugir de um tipo de sofrimento (a natureza poderosa, por exemplo), o ser humano criou um sofrimento ainda maior (a sociedade).

Assim, o homem moderno trocou seu desejo de felicidade pela satisfação de não ser completamente infeliz.

Para compreender essa trajetória de satisfação em não ser completamente infeliz, é preciso entender o poder dos mitos.

Mito (Freud): Era uma vez um macho que possuía várias fêmeas pela força bruta. Neste momento, a liberdade deste pai primitivo era absoluta. Ali, ainda estávamos longe do que seria o conceito de todas as famílias humanas, que é a proibição universal do incesto. Isso ocorre até um momento em que os filhos se revoltam, matam o pai, fazem um festim canibálico e introjetam seus valores. Tudo o que o pai primitivo proibia pela força bruta, os filhos proibirão pela lei. Decidirão, pela lei, quais as mulheres proibidas e quais as permitidas. Ou seja, a primeira lei humana, que marca a passagem da orda primitiva (estágio natural) à família humana (estágio de cultura) é a lei universal proibitiva do incesto.

A primeira família humana, portanto, vai se basear em dois princípios: o do amor e o da necessidade (trabalho). O macho precisa de sua fêmea, e a fêmea não pode ser separada de suas crias. Caberia ao macho proteger sua fêmea e suas crias. Isso é Eros, o poder do amor sexual (freudianamente, todo amor é, em sua origem, sexual, é libido, mas se transforma quanto à finalidade).

A proibição universal do incesto mesclou famílias e gerou novas ramificações, criando comunidades cada vez maiores. O amor genital, erótico, levava à construção de novas famílias. Isso levou o humano a ter de conviver com um número cada vez maior de pessoas. Freud percebe, aqui, que há significativas diferenças entre o amor genital (entre 2) e o amor entre uma comunidade. O problema no amor genital é que “a gente nunca sofre tanto do que quando a gente ama” (Freud). Portanto, aquela que seria a primeira solução para a felicidade (o amor), acaba sendo uma solução para a infelicidade. Aquela que, em geral, mais nos faz sofrer.

Portanto, do ponto de vista Freudiano, o amor é exclusivo e, evidentemente, se opõe ao conceito de sociedade. Só que a sociedade e a vida factual não deixam de existir apenas porque queremos. Assim, o amor exclusivo tem vida curta. Os homens, então, já que não podem viver só de amor vão viver de trabalho e sociedade também. Só que as mulheres, ainda sob o ponto de vista de Freud, seriam anti-civilizatórias, pois gostariam de manter o ser amado perto delas, ao passo que o ser amado quer ir pro mundo. Isso evidencia a forma com que cada um dos gêneros tende a sentir, a entender e vivenciar o amor de formas particulares.

Aqui, com a complexidade das relações tanto no amor genital como no amor em sociedade (e a ampliação constante desta sociedade), entra a questão da agressividade que, para Freud, está no cerne de nossos desejos. O ser humano teria prazer com a agressividade. O ser humano, ao contrário dos animais, tortura. Essa punção de morte se revela na agressividade, na violência sexual, exploração do trabalho, exploração política, guerras, ditaduras etc. A violência revela-se em atos cotidianos e repetitivos, como se, de certa maneira, não aprendêssemos nada com a História.

O humano trabalha, portanto, com 2 punções:

  1. a de Amor: que construiu sociedades e busca ampliar cada vez mais este conceito;
  2. a de Morte, que procura destruir, através da violência, todos esses laços construídos.

O primeiro, tenta preservar a vida e o outro, tenta fazer com que o organismo volte ao estado inorgânico. Vivemos o tempo todo nesta dupla contradição. Freud vai dizer que nosso mal-estar decorre desta ambivalência em torno de nossas próprias construções sociais. Todas essas construções que nós mesmos edificamos, nós mesmos nos esforçamos por destruir. Para o psicanalista, esta ambigüidade não faz parte de algum processo evolutivo. Ou seja, não vivemos tal contradição simplesmente porque ainda não aprendemos a trabalhar e a conviver com tais condições contraditórias. Simplesmente, ambas as forças seriam ontogênicas, fazem parte de nossa própria natureza, de nossa essência humana. Neste sentido, a dualidade entre Eros e Tânatos faz com que o indivíduo, para escapar de sua própria destruição, seja levado a destruir o outro: tal é o conceito de punção de morte, elaborado por Freud. Para reprimir essa punção de morte, o ser humano vai desenvolver o complexo de culpa e o superego. Portanto, a violência que ele gostaria de colocar sobre o outro, ele acabará colocando sobre si mesmo.

Zygmunt Bauman, sociólogo, concorda com Freud de que o mal-estar social é estrutural e não conjuntural. Ele não crê numa evolução neste processo, o que, para um sociólogo – que costuma ter uma visão mais linear da evolução social –, é bastante curioso. Bauman reconhece que, na sociedade tal como Freud a descreveu, o ser humano trocou seu quinhão de liberdade por um quinhão de segurança. Na sociedade pós-moderna, parece, entretanto, que a troca tem sido inversa: em nome de uma liberdade individual, abrimos mão da segurança e vivemos numa sociedade do medo.

Em seu livro, Amor Líquido, Bauman analisa a fragilidade dos laços humanos. O autor investiga nesse livro de que forma as relações tornam-se cada vez mais ‘flexíveis’, gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em ‘redes’, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade – e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual -, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta – não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada.

(Vale ressaltar, entretanto, que continuo sendo uma romântica incorrigível)

Publicado em: on 04/07/2009 at 18:16 Comentários (1)
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