Estudos sobre o EscreVer II

Lições pela Pedra

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se. (Drummond)


*****

eis que o deslumbramento veio
mudo

******

A mulher, de boca atada
encarava
no espelho-árido-cortante
os fios do punho de aço

(in-vi-sí-Veis?)

Ontem ela chorou com a boca cheia de sangue. Após
um breve colapso,

Dr
u
mm
on
d voltou à luz
a-po-ra-ti-ca-men-te
antieuclidianamente
com labirintos de insetos
com ela no labirinto
num país bloqueado
ela-raíz-minério

em pleno ápice:

escuridão.

Não lutou
-cavava fundo
mais para se perder
que para encontrar

o que quer que fosse-.

Afundou o travesseiro
em gotas salgadas
nas ondas de suas dúvidas

e,

simplesmente,

nasceu
no poema-orquídea
do escritor-pedra
(por onde, tantas vezes, a lição se faz).

Mas isto já é outra composição.

Publicado em:  on 08/09/2009 at 03:40 Comentários (1)
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  1. Beatriz, amanhã ( 09/09/09) cabalisticamente tem roda no SESC. Aparece lá, me procura, meu nome é Alexandre, vou todas as quartas, o lugar é um barato, turma animada.
    Ale Toresan


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