Lições pela Pedra
Áporo
Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.
Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?
Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:
em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se. (Drummond)
*****
eis que o deslumbramento veio
mudo
******
A mulher, de boca atada
encarava
no espelho-árido-cortante
os fios do punho de aço
(in-vi-sí-Veis?)
Ontem ela chorou com a boca cheia de sangue. Após
um breve colapso,
Dr
u
mm
on
d voltou à luz
a-po-ra-ti-ca-men-te
antieuclidianamente
com labirintos de insetos
com ela no labirinto
num país bloqueado
ela-raíz-minério
em pleno ápice:
escuridão.
Não lutou
-cavava fundo
mais para se perder
que para encontrar
o que quer que fosse-.
Afundou o travesseiro
em gotas salgadas
nas ondas de suas dúvidas
e,
simplesmente,
nasceu
no poema-orquídea
do escritor-pedra
(por onde, tantas vezes, a lição se faz).
Mas isto já é outra composição.

Beatriz, amanhã ( 09/09/09) cabalisticamente tem roda no SESC. Aparece lá, me procura, meu nome é Alexandre, vou todas as quartas, o lugar é um barato, turma animada.
Ale Toresan