Pessach

Às vezes eu me pergunto: qual a vantagem de saber escrever quando não se sabe dizer, em palavras, aquilo que realmente se está sentindo?
E qual o valor das palavras quando tudo o que se tem dentro e fora de si é solidão?

Quando os amores calaram e as amizades se distanciaram; quando os laços se afrouxaram e só restam as lembranças do que um dia foi possível… É possível escrever sobre o que quando todas as lições que recebemos da vida nos ensinam que calar os sentimentos é, via de regra, mais saudável à saúde do jogo social?

E quando não se quer mais jogar? Abandonamos o jogo ou, na verdade, apenas brincamos sozinhos?

Não é possível que o melhor de mim seja o meu silêncio! Que a melhor medida sejam as desculpas. Que a melhor melodia sejam os ruídos! Que a melhor distância seja a ausência.
Não sinto isso.
E, no entanto, tenho aprendido cada vez mais a me calar.

Nós, mulheres, aprendemos muito cedo a amar o impossível, através dos contos de fadas. Talvez isso explique minha atual obsessão por cavalos marinhos. Também aprendemos a encarar as outras mulheres como rivais. Talvez isso explique a necessidade de plásticas e compras constantes.
Mas somos inabaláveis quando confiamos!
Talvez isso explique a força da nossa amizade, quando sincera.

É Páscoa e tenho me sentido cada vez mais só.
Meu irmão faz o possível pra me suprir as ausências, mas tem lágrimas que apenas outras mulheres entenderiam. E as “minhas” mulheres estão longe. Minhas duas irmãs, que eu demorei tanto pra descobrir. E que hoje me entenderiam antes mesmo de eu abrir a porta.

Porta que está cada vez mais difícil de se abrir.

Defesa de tese

Dia 28 de março, sexta-feira, o poeta, ensaísta e tradutor Claudio Willer defenderá sua tese de doutorado intitulada Um Obscuro Encanto: Gnose, Gnosticismo e a Poesia Moderna

Será às 14 horas no prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Cidade Universitária.
A banca examinadora será composta por Eliane Robert Moraes, Maria Lúcia Dal Farra, Olgária Matos, Moacir Amancio e seu orientador, Benjamin Abdala Júnior.

Estamos todos convidados.

Publicado em: on 17/03/2008 at 19:01 Comentários (1)
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Resposta(s) aberta(s) a um Passageiro

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(Gustavo Saba – Erosão de Eros)

Todos os lugares, Hoje de 2008

Num impulso de lhe responder, sem querer me conheci. E me abri a novas perguntas. Mas pretendo editá-las ao longo do caminho, sem me adiar demais, sem me amar de menos. E posso dizer que, se fosse, agora, dar nome ao disparate abaixo, cambaleava: Manual da alma feminina? Pedigree da alma-fêmea? Dúvida de uma transeunte que caminha 100% nos sentidos da razão, 100% no cemtidos da paixão.

– talvez, ao nos depararmos com as fraquezas da vida, encontramos, no aparente precipício, a Força mítica. Estou certa? Eu descubro. –

Mas, apenas para não me alongar demais nas respostas de menos, segue o confessionário. De hoje.

Direitos desrespeitados das mulheres. Muito meus. Posso confessar?
:
1) Do direito à TPM sem culpa, e tudo o que ela pressupõe (desejo de matar ou morrer, solidão, insônia, dramas, angústias, arrependimentos próprios seguidos de risadas intermináveis por uma piada mais ou menos sem graça e novas lágrimas com a propaganda da Doriana);
2) Do direito a chocolates sem calorias;
3) Do direito ao colo e à in-dependência declarada;
4) Do direito às manhas e às manhãs (citação, vc sabe);
5) Do direito ao trânsito livre entre o salto alto e a pantufa de bichinho;
6) Do direito a dar e receber carinhos sem hora marcada;
7) Do direito a se encantar com a chuva e esquecer da chapinha;
8 )Do direito a não ser sexy 24 horas por dia, 7 dias por semana;
9) Do direito ao amor com sexo, ao amor sem nexo, gritado ou sufocado;
10) Do direito a odiar amar Chico Buarque, Sartre e afins.

(Só pra citar os mais (im)prováveis)

Sobre Chico: Mulheres de Atenas são apenas algumas delas. Eu sou TODAS, de Geni a Terezinha. Também passei em exposição às vitrines e enxerguei, nas galerias, as Passagens de Walter Benjamin. Nos meus olhos, pude ver as vitrines e o nascimento de novos fetiches. A Metrópole (re)nascia a cada clarão, mas quem escorregou pelos vãos catando a poesia deste homem-fêmea fui eu.
Mea-culpa.

Amo.

E, como no “museu de grandes novidades”, esse amor não tem passado, não tem futuro. É um presente. Continuum. Matéria bruta que se decanta em composições mais, ou menos, (a)simétricas. Sem fins lucrativos.

Meu Amor não tem tempo. É um aqui constante.

E se bater à sua porta, com Ana ou Carolina, vestida ou sem-vergonha, saiba que todas as Beatrizes – de Dante a Chico, e mesmo as da feira – estão presente(s).
Não abra se só for capaz de olhar sem ver.
Mas escreva quando puder a esta,

Mulher de Passagem.

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O Passageiro: http://www.papodepassageiro.blogspot.com

Hoje aprendi:

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A vida é assim
Em meio aos rastros da felicidade
Há indícios de passos imprecisos
Ecos de palavras estranhas
E trilhas recém cobertas
Por uma vegetação nova
É assim como o chão ao avesso,
O céu que pisamos
Com nosso ímpeto humano
Que atravessa séculos
Imaginando-se Mercúrio ou Plutão
Marte ou Vênus
Em meio ao que dizem de nós
Vamos ouvindo o que pensamos
Sobre isso ou aquilo
Acreditando no que dizem
Rezando pelo que apregoam
em timbres de alteridade
É assim que a vida passa
Como um viajante cheio de bugingangas
Quase todas com seus dias contados,
Apenas algumas servem
Para os mais apaixonados
Ou os que não temem seguir em frente.
É assim como este poema estranho
Que insiste em escorrer por entre meus dedos
Mas que não parece sair de mim,
Querendo apenas imitar um abrigo
Como a sombra de uma nuvem,
Pois este poema sabe que a vida é assim:
Cheia de contornos (afinal o planeta é redondo)
Cheia de ciclos eternos
(afinal, a trajetória de suas esferas é curva)
E o meu cão (Zeca), que nada sabe disso,
Olha para mim como se eu fosse o Universo
E qualquer lágrima fosse uma estrela
E qualquer assobio, um grito de guerra
E qualquer rio,
Apenas um chão escorregadio
Ah, meu cãozinho,
Tu que sabes mais do que eu
Diga-me: “Onde estou?
Onde há fogo que faça de meu ego
Um simples sol de alguns segundos?
Embora o mundo não pareça ser dos cães,
Avise, Zeca, às paredes de minha casa
Que elas precisam respirar a cor desta vida
Com mais fôlego, aconchego e calor…
Avise que é preciso cheirar primeiro
Para olhar depois
E, por último (aí, sim), sonhar
Como sonha um cão
Debaixo de uma cadeira
Pastoreando meus versos
Que só conduzem a si mesmos
Quando tu tiras um cochilo
E tua presença fica quieta como a lua
Vista sob o prisma de um coração que sonha
Com a vida do jeito que ela é…
Assim mesma!
(João de Abreu Borges)
Publicado em: on 06/03/2008 at 17:16 Deixe um comentário
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