Agenda Cultural

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Caixa Cultural apresenta:

 T O R D E S I L H A S

- FESTIVAL IBERO-AMERICANO DE POESIA CONTEMPORÂNEA -


Linguagens e Fronteiras – Desconstruindo a Linha de Tordesilhas


De 30 de outubro a 4 de novembro, entrada franca


O “Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea” é um evento literário que pretende apresentar e discutir a produção recente de poesia na América Latina e Península Ibérica. A proposta do festival, “Desconstruindo a Linha de Tordesilhas”, expressa a busca de novos diálogos e acordos entre poetas de língua portuguesa e espanhola nestes países.


O TORDESILHAS reunirá mais de 50 poetas de diversas partes do Brasil, América Latina, Portugal e Espanha, cujo trabalho é representativo e de destaque internacional, além de acadêmicos, críticos e editores de poesia interessados na temática íbero-americana.


O festival acontecerá em São Paulo, na Caixa Cultural, com uma programação noturna itinerante que inclui o Instituto Cervantes, o teatro Galpão de Folias, o Espaço Parlapatões da Praça Roosevelt e a Academia Internacional de Cinema.


Mais informações: www.festivaltordesilhas.net

Publicado em: on 26/10/2007 at 22:10 Deixe um comentário
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Pra fazer sentido

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Ao abandonar uma (in)certa direção
Percebi que o barco
Ontem
Já não fazia sentido.

Deixei chaves,
Abri portas e o coração
Pra me lembrar
E me perder um pouco mais.

Indo assim: sem rumo
Sem documentos
Com medo a toda prova
– provando a fragilidade de um caminho talvez desértico –
Caminho
Umidamente
Timidamente
Entregue ao vento e às intemperanças sem data
Sem mapa
Pra me lembrar
E me perder um pouco mais.

Ao abandonar uma (in)certa direção
Percebi que o barco
Ontem
Já não fazia sentido.

Perdi as chaves
O leme
Perdi o prumo
Abri portas e o coração
Pra me lembrar
E me perder um pouco mais.

Publicado em: on at 17:29 Deixe um comentário

Amar é…

{Dopamina para Ana P.
O que me resta? Lexotan?}

*****************

Amar é…
Colunista explica processos químicos que ocorrem no cérebro quando nos apaixonamos

Não leia este artigo se você achar que o amor é algo que deve ser tratado apenas por poetas e escritores. Se, por outro lado, você já experimentou o prazer de amar e as desventuras de não ser correspondido, se já fez uma série de coisas ridículas quando apaixonado ou se já ficou balançado entre o amor e o ódio por uma pessoa, certamente deve estar interessado em saber o que se passa com alguém nesse estado. Nesse caso, prossiga a leitura que este texto é para você.

Um casal de cisnes “namorando”. Diferentes mamíferos e aves apresentam repertórios específicos de carícias e rituais amorosos (foto: R Neil Marshman).

Observações comportamentais indicam que, de forma universal, aves e mamíferos investem uma quantidade considerável de energia em exibições para o sexo oposto e em embates para definir uma hierarquia de acasalamento. Além disso, essas espécies apresentam um vasto repertório de carícias e rituais amorosos. Todo esse gasto energético ocorre para se assegurar um maior sucesso reprodutivo e a transmissão de genes paternos e maternos para as gerações futuras. Mas como esse processo instintivo de fazer a corte funciona com criaturas tão complexas como os homens e mulheres?

Apesar de convivermos com dezenas de pessoas diariamente, somente alguns poucos indivíduos com que cruzamos em nossas vidas desencadeiam o amor e a paixão em nós. Que razões definem essa escolha? É inegável que o amor está relacionado com os atributos físicos de uma pessoa. Nós homens muitas vezes elegemos mulheres que possuam uma relação entre cintura e quadril em torno de 0,7 e que tenham curvas generosas. Acredita-se que essas preferências indiquem – de forma inconsciente – que essas mulheres sejam mais férteis, fator que era muito importante no início de nossa historia evolutiva.

Talvez esse seja um dos motivos pelos quais os homens sejam mais visuais em suas escolhas que as mulheres. Testes realizados com homens apaixonados indicam que, durante esse período, eles têm uma forte estimulação de uma área cerebral relacionada com a integração de estímulos visuais. A venda de revistas eróticas, principalmente voltadas para o público masculino, explora essa característica sexual.

No sexo feminino, por outro lado, a escolha dos parceiros é determinada, entre outros fatores, a partir de experiências passadas. Quando enamoradas, as mulheres apresentam atividade em três áreas cerebrais relacionadas com a memória e a capacidade de evocar fatos passados. Talvez seja por isso que, às vezes, durante alguma discussão, nossas namoradas relembram de algo feito por nós há muito tempo e que as tenha desagradado!

Coquetel químico
Certamente a escolha de nossos parceiros também se baseia em componentes culturais e psicológicos, mas existe uma série de fatores químicos envolvidos que muitas vezes passam despercebidos. A química envolvida no jogo amoroso é complexa, mas os papéis de alguns componentes-chave nesse processo já foram esclarecidos pela ciência.

Molécula de dopamina, um neurotransmissor que atua como estimulante natural e que é produzido em abundância no cérebro de pessoas apaixonadas (arte: Wikimedia Commons).

Quando apaixonados, homens e mulheres apresentam atividade em diversas áreas cerebrais. Contudo, é a ativação de uma pequena região que vem chamando a atenção dos pesquisadores: a área ventral tegmental, relacionada com a produção de dopamina, um neurotransmissor que atua como estimulante natural e que proporciona sensações de euforia, plenitude e mudanças de humor.

Outra área conhecida como núcleo caudado, situada na base do cérebro e relacionada com a memória e o aprendizado, também é ativada quando estamos enamorados. Juntamente com a área ventral tegmental, esse local forma uma região primitiva de nosso cérebro conhecida como o “centro de recompensa”.

O centro de recompensa calcula nossas expectativas futuras relacionadas com experiências vivenciadas e, por isso, também está envolvido na prática de jogos de azar e vícios em drogas. No caso de algumas pessoas, a recompensa do amor pode ser apenas, por exemplo, passar um fim-de-semana com o namorado que vive do outro lado do mundo após uma longa viagem.

Há, portanto, uma similaridade entre as áreas ativadas quando se consome drogas e quando estamos apaixonados. Isso de certa forma explica a necessidade e a dependência cada vez maior que sentimos de estar ao lado da pessoa amada e toda a frustração e, muitas vezes, as reações violentas que surgem quando não somos correspondidos. Quando isso ocorre, muitos acabam optando por não ter qualquer contato com lugares, pessoas ou objetos que lembrem a pessoa amada. Dessa forma, essa resignação substitui o desalento e evita o desgaste físico e mental relacionado com a perda do parceiro amoroso.

Frustrações amorosas podem levar ao ódio. O aumento nos níveis de dopamina que ocorre quando nossos objetivos não são alcançados pode desencadear o estímulo de uma região cerebral conhecida como amígdala, que está relacionada com essas sensações rancorosas. Portanto, é de certa forma verdadeiro o ditado popular segundo o qual existe uma distância muito pequena entre o amor e o ódio!

Caminhando nas nuvens
Além da dopamina, outro neurotransmissor conhecido como norepinefrina ou noradrenalina tem sua produção estimulada quando estamos enamorados. Por outro lado, ocorre uma diminuição na secreção de serotonina, um composto químico fundamental para a percepção e avaliação do meio que nos rodeia e para nossa capacidade de resposta a estímulos ambientais. A carência de serotonina é uma das responsáveis pelo estado de desatenção constante dos apaixonados.

O último beijo dado em Julieta por Romeu , quadro de 1823 do pintor italiano Francesco Hayez (1791-1882). O processo pelo qual indivíduos apaixonados têm ânimo revigorado para superar obstáculos – como a oposição das famílias à união do jovem casal – é conhecido como “efeito Romeu e Julieta”.

A dopamina e a norepinefrina nos auxiliam a fixar a atenção no objeto de nosso desejo e a encarar essa pessoa como original e diferente. Como a dopamina favorece a aprendizagem de estímulos novos e a norepinefrina nos ajuda a recordar esses estímulos, passamos a nos deter minuciosamente no ser amado que, assim, se transforma no centro de nossa atenção em detrimento das outras pessoas.

Por outro lado, o pensamento constante – e muitas vezes obsessivo – focado na pessoa amada se deve à diminuição dos níveis de serotonina. Também o ciúme, um dos “efeitos colaterais” do amor, pode estar associado com as alterações nos níveis desse neurotransmissor.

As mudanças comportamentais que ocorrem quando nos apaixonamos estão associadas com a ação da dopamina, que também está relacionada com a motivação e com as condutas voltadas para a busca de um objetivo concreto. Além disso, um aumento nos níveis de dopamina ocorre quando surgem obstáculos para uma relação amorosa, intensificando os sentimentos. Esse processo, conhecido como “efeito Romeu e Julieta”, ocorre quando estamos diante da adversidade amorosa.

Quando comparamos cérebros de indivíduos enamorados com os de pessoas sexualmente excitadas, observamos o estímulo de circuitos cerebrais diferentes. Porém, o amor leva a um aumento da produção de dopamina que, por sua vez, conduz a uma elevação dos níveis de testosterona, o hormônio sexual masculino relacionado com o desejo sexual.

Pés no chão
Ao final de um envolvimento amoroso, a diminuição dos níveis de dopamina evita um desgaste energético desnecessário e prejudicial para o organismo. Se a concentração dessa substância cair muito, um sentimento de letargia e tristeza será induzido.

Dois hormônios conhecidos como vasopressina e oxicitocina, produzidos pelo hipotálamo, glândula situada na região abaixo do cérebro, se encarregam na fase final de uma relação amorosa de nos trazer de volta às responsabilidades de nossa vida cotidiana. Interessantemente, esses dois hormônios também são liberados ao final do orgasmo e nos proporcionam uma sensação de paz e cumplicidade com a pessoa amada – algo que sem dúvida reforça a ligação entre os parceiros amorosos.

Mesmo que o amor e a paixão um dia acabem, esses sentimentos já deixaram marcas indeléveis e lembranças que perduram por toda a nossa vida. Apesar de estarmos apenas agora desvendando alguns dos mistérios desses sentimentos, a sua contribuição para o espírito criativo da humanidade são inegáveis e levaram à produção de algumas das maiores obras de arte da humanidade com um único objetivo: chamar a atenção e agradar ao ser amado.

Jerry Carvalho Borges
Colunista da CH On-line 
19/10/2007

Publicado em: on 22/10/2007 at 14:08 Deixe um comentário

abre los OjOs

and tell me:
what’s happiness for you
my pleasure delayer?

I´ll tell you soon,
or in another life,
when we are both cats…

(mais que isso seria entregar o ouro. contente-se com o pó. volto depois.)

Publicado em: on 14/10/2007 at 23:44 Deixe um comentário

RÉCITA COM ROBERTO PIVA, CLAUDIO WILLER & AFONSO HENRIQUES NETO

7 de outubro, Domingo, às 15 h.

Três dos maiores autores contemporâneos trazem sua Poesia-à-Beira-do-Abismo para a cidade.

 

 

Ponto de Cultura LABORATÓRIO DE POÉTICAS

Imaginário & Diversidade Cultural em Diadema

 

Centro de Memória  (Av. Alda, 255, Praça da Moça, Diadema) . São voltadas a escritores, pesquisadores, artistas & interessados em geral (maiores de idade). Não há necessidade de inscrição prévia. Programação sujeita a alterações.

 

Metro Jabaquara (15 minutos), Trolebus até Diadema, descer na parada Castelo Branco. O Centro de Memória fica ao lado da Casa da Música, próximo a Praça da Moça; é de fácil acesso.

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Ponto de Cultura LABORATÓRIO DE POÉTICAS

Imaginário & Diversidade Cultural em Diadema

 

Laboratório de Poéticas é o primeiro Ponto de Cultura (MinC, Prefeitura Municipal de Diadema, Secretaria de Cultura) a instalar antenas & criar raízes na cidade. Desde maio de 2007 reúne, todos os sábados, no porão do Centro de Memória, um conselho editorial formado por 15 escritores, pesquisadores & artistas com trajetória na vida cultural local, para discutir textos, imagens & idéias – suas & de outros criadores culturais.

 

A principal ação do Laboratório é a produção de uma revista voltada à diversidade cultural. Essa publicação, em versão impressa & versão digital (site), vem trazer à tona a multiculturalidade & o imaginário da cidade – do graffiti ao cordel, do candomblé à música eletrônica, do rock à filosofia, da política à poesia, do ecologismo às tradições mágico-religiosas.

 

A revista Laboratório de Poéticas (Antenas & Raízes) desenvolve ainda encontros com escritores, pensadores & griôs (portadores de tradições ancestrais). Está preparando também uma biblioteca especializada em questões de diversidade cultural.

 

Laboratório de Poéticas não é literatura. Ele atua na transversalidade, nos cruzamentos entre Palavra, Pensamento & Imaginário. Poesia & ficção, jornalismo & ensaio, ciência & filosofia, culturas tradicionais & culturas experimentais, culturas híbridas & contraculturas. Sua linha é independente & alternativa, marcada pela liberdade de pensamento & expressão. Laboratório de Poéticas = imaginário social + diversidade cultural. Sem Diferença não há Vida.

 

 

encontros programados para 2007

 

 

de 12 de setembro a 13 de novembro

ENCONTROS COM CLAUDIO WILLER

Todas as quartas, às 19h30, o poeta, tradutor & crítico Claudio Willer, referência da poética beat & surrealista no Brasil, orienta o ciclo inicial da oficina Poetas & Cidades. Este primeiro ciclo, um contato inicial com os poetas de Diadema, é voltado às relações entre vida & poesia. O segundo ciclo, programado para 2008, abordará as relações entre poesia & metrópole na modernidade.

 

 

de 15 de setembro a 15 de dezembro

ENCONTROS COM PESQUISADORES DA CIDADE: NÚCLEO LE HASARD

Sempre no terceiro sábado de cada mês, às 19 h. O Núcleo de Pesquisa Le Hasard realiza o Café por Acaso, com mediação de Jimmy Brandon Ávila, ex-pesquisador social do Instituto Fernand Braudel, & William Figueiredo, encenador de teatro & performance. O ciclo Pós-Modernidade abordará os tópicos:

         -15/9: origens da pós-modernidade;

         -20/10: o capitalismo tardio;

         -24/11: o relativismo & o pensamento teórico;

         -15/12: as vanguardas artísticas do pós-guerra.

 

 

22 de setembro, 20 de outubro, 1º de dezembro

ENCONTROS COM ROBERTO PIVA

Nestes três sábados, às 15 h, o mais transgressivo dos poetas brasileiros orienta seus Encontros Órficos, falando de poesia, erotismo, xamanismo & outras experiências viscerais.

 

 

(data a confirmar)

ENCONTRO COM O PONTÃO DE CULTURA DO KAOS

Durante a inauguração oficial da rede de pontos de Diadema, o Pontão do Kaos de Jorge Mautner vem à cidade falar de sua experiência com a multiculturalidade brasileira.

 

 

7 de outubro

RÉCITA COM ROBERTO PIVA, CLAUDIO WILLER & AFONSO HENRIQUES NETO

Domingo, às 15 h. Três dos maiores autores contemporâneos trazem sua Poesia-à-Beira-do-Abismo para a cidade.  

 

27 de outubro

ENCONTRO COM MARCELINO FREIRE

Sábado, das 10 às 17 h. O premiado ficcionista Marcelino Freire, considerado autor-revelação do momento, orienta a oficina de prosa Algumas Narrativas Breves & Outras Nem Tanto.

 

 

7 a 11 de novembro (Belo Horizonte, MG)

Lançamento da revista Laboratório de Poéticas (Antenas & Raízes) no Encontro Nacional de Pontos de Cultura (TEIA), em Belo Horizonte , MG, com récita de editores & colaboradores.

 

 

17 de novembro

ENCONTRO COM SERGIO VAZ & COOPERIFA

Sábado, às 15 h. Sergio Vaz fala da experiência da Cooperifa, récitas populares de poesia em bar da periferia da Grande São Paulo, & dá uma canja em Diadema.

 

 

5 de dezembro

ENCONTRO COM LUÍS ALBERTO DE ABREU

Quarta, às 19 h. O dramaturgo & pesquisador Luís Alberto de Abreu orienta a discussão Narrativa & Oralidade. Este encontro está vinculado à pesquisa sobre narrativa & oralidade realizada pelo Núcleo Le Hasard no Sítio Joaninha de Diadema, que estará em exposição no RECAD no mesmo período.

 

 

 

Centro de Memória  (Av. Alda, 255, Praça da Moça, Diadema) . São voltadas a escritores, pesquisadores, artistas & interessados em geral (maiores de idade). Não há necessidade de inscrição prévia. Programação sujeita a alterações.

Trolebus até Diadema, descer na parada Castelo Branco. O Centro de Memória fica ao lado da Casa da Música, próximo a Praça da Moça; é de fácil acesso.

Publicado em: on 04/10/2007 at 22:54 Comentários (3)

Do you believe in love…?

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(ilustração: verabasile)

- vontade: -

“trilha sonora ao fundo: piano no bordel, vozes barganhando
uma informação difícil. agora silêncio; silêncio eletrônico,
produzido no sintetizador que antes construiu a ameaça das
asas batendo freneticamente.
Apuro técnico.
Os canais que só existem no mapa.
O aspecto moral da experiência.
Primeiro ato da imaginação.
Suborno no bordel.
Eu tenho uma idéia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.
Memórias de copacabana. Santa Clara às 3 da tarde.
Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos.
Billy the Kid versus Drácula.
Drácula versus Billy the Kid.
Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o seu
amor de ontem.
Gertrude: estas são idéias bem comuns.
Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela.
Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte.
É sempre um pouco tarde.
Não presta atenção em mim.
Olha aqueles três barcos colados imóveis no meio do grande rio.
Estamos em cima da hora.
Daydream.
Quem caça mais o olho um do outro?
Sou eu que admito vitória.
Ela que mora conosco então nem se fala.
Caça, caça.
E faz passos pesados subindo a escada correndo.
Outra cena da minha vida.
Um amigo velho vive em táxis.
Dentro de um táxi é que ele me diz que quer chorar mas não chora.
Não esqueço mais.
E a última, eu já te contei?
É assim.
Estamos parados.
Você lê sem parar, eu ouço uma canção.
Agora estamos em movimento.
Atravessando a grande ponte olhando o grande rio e os três
barcos colados imóveis no meio.
Você anda um pouco na frente.
Penso que sou mais nova do que sou.
Bem nova.
Estamos deitados.
Você acorda correndo.
Sonhei outra vez com a mesma coisa.
Estamos pensando.
Na mesma ordem de coisas.
Não, não na mesma ordem de coisas.
É domingo de manhã (não é dia útil às três da tarde).
Quando a memória está útil.
Usa.
Agora é a sua vez.
Do you believe in love…?
Então está.
Não insisto mais.”

Ana Cristina César

***

(e meu sincretismo permite uniões. não juro.)

Publicado em: on 03/10/2007 at 19:38 Deixe um comentário

REVISTA COYOTE COMEMORA 5 ANOS COM MADRUGADA CULTURAL

Ah, se eu ficasse em Sampa…

 

A revista literária COYOTE está completando 5 anos de existência e a comemoração será com uma madrugada cultural no Teatro dos Sátyros 2, no próximo dia 6 de outubro (sábado). A noitada começa às 21 horas, com o lançamento da edição de número 15 no Sebo do Bac (saguão do teatro), às 21 horas. Em seguida, à 1 hora da madrugada do domingo, tem início a Noite Coyote, intercalando leituras, shows musicais e projeções, no palco do teatro.

Na programação constam o poeta Ademir Assunção, o dramaturgo Mário Bortolotto, os compositores Edvaldo Santana, Carlos Careqa, Wanessa Bumagny e Linari e a atriz Phedra de Córdoba, que lerá poemas do cubano Pedro Juan Gutierrez. Os atores Paulo de Tharso e Daniella Angelotti apresentarão esquete teatral baseada em poema do francês Leó Ferré. O escritor Daniel Cavana lerá poemas de Julio Cortázar publicados na última edição da revista. Os fotógrafos Juvenal Pereira e Edinho Kumasaka farão projeções dos ensaios fotográficos “Olho de Boi” e “Bibelôs em Transe”. Serão exibidas ainda animações do personagem Tulípio, criado por Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker, e o curta-metragem “Melodrama Blues”, de Robson Timóteo, com poema de Marcelo Montenegro e música de Fábio Brum.

Editada pelos poetas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Ademir Assunção, a revista Coyote vem mantendo uma orientação de radicalidade tanto editorial quanto gráfica.

(Fonte: Aqui)

Publicado em: on at 19:29 Comentários (7)

Pequena crônica de uma natureza morta

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Se o Rio é de Janeiro
Sampa é diário

Diarréia de Tempo
sem tempo no dicionário

Vão de vidas
Ficam-se os anéis
e, em meio a tantas despedidas,
digitalis perdidas
inusitados broquéis

A massa
do pão
da gente
de fome

A mão
sem dente
de gente
consome

A face
alface
a foice

foda

sem transgressão

depressão
dormência

Afago no falo falido
ego-fastigioso-sum
de fato

e o paradoxo
do tempo perdido
e nunca mais encontrado

Publicado em: on 02/10/2007 at 00:58 Deixe um comentário