Archive for Novembro 2006
N’el Cuore

ofertório da saudade anunciada
esvai-se o tempo
abrindo o tampo
de tudo de tanto
que tento nas noites
escrever de fugaz
que escorre da cana
que quebra na cama
que doido se trai
que muda de uma
pra outra estação
que cobre o rosto
descobre que posto
que a vida que rouba
o rosto que morde
não fala não fala
no mudo ouvido
e todo sentido
que pode nascer
da porta aberta
que aperta o nome
do que nunca se soube
se houve ou se há
amarga a língua
de talagada
tango samba balada
a boca velada
a vela apagada
a luz que acende
sem meias verdades
sandálias descalças
vestindo saudades
nos meus olhos teus
-Nel Meirelles
(de Pernambuco para Sempre.
-para nunca mais? -
Saudades, meu amigo…)
Para nossa vaidade
“Well I’m just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don’t let me be misunderstood“
(na voz de Nina Simone)
**************************
Não tenho capacidade para o mundo.
Ultimamente tenho me concentrado nos fados. Sem bolero. Apenas o peso da vida e a leveza de algumas superstições. E quero que as instituições se lixem, que de burocrática já basta eu.
Me acompanha?
Vou falar da vida à toa, sem censuras e com algum bordado, que o brocado anda caro. É isso: nuamente minha vida se transformou num apanhado gigante de deveres que se resumem àquelas contas que felizmente aprendemos a fazer desde a primeira à quarta séries do antigo (como eu) primário (como eu). Agora boto no computador as contas da minha vida e descubro, desesperada, que nos últimos anos não tenho sido amada: coloquei um metal no próprio umbigo e acreditei, feito uma patsa, que estes olhos escuros só podem enxergar blue.
De resto, Nina Simone que me cante.
*********************** Uma vez ele me disse que encontraríamos certa dificuldade na felicidade, simplesmente porque não sabemos amar. Ao contrário das libélulas, caímos em pleno vôo. Acreditei.
(Como se chamam aquelas flores azuis que nascem no outono e, contrariando todas as possibilidades, matam umas às outras no verão?) E Nina disse: I put a spell on you, because you’re mine. Queria ser simples assim. Sem contrariar a natureza que há em mim, em ti, nos nós e pontos-cruz, credo que isso já ta revirando minha cabeça dia e noite. Não sei se te contei da noite em que me esfaqueei pensando em você.
E no egoísmo que me faria te contar tudo.
Simples: era uma vez umas velas expostas numa noite fria e sem emoção.
Eram veias verdes e calmas numa pele cinza como aquele chão que tu pisas todos os dias antes de chegar ao fado de teu escritório.
Era a falta do tapete vermelho, ou o excesso de cortinas espessas cerrando a visão de tudo o que pudesse estar acontecendo lá fora.
Era eu.
Facas.
Nunca foi você.
E Nina cantava alto: He needs me
He doesn’t know it,
But he needs me
And so no matter where he goes,
Though he doesn’t care
He knows that I’m there
He needs me
I ought a leave him,
But he needs me
I know that I ain’t very bright
Just to tag along
Oh, but right or wrong
I’m his… And I’m here
And I’m gonna be his friend,
Or his lover
Cause my one ambition is
To wake him and make him discover that
He needs me
I’ve got to follow where he leads me
Or else he’ll never know
That I need him
Just as he needs me
Foi-ce.
