
Um Gole de Baco (parte 4)
:
“Como sentir-me Madalena, a adúltera bíblica,
Puta mais temida do universo?
É possuir o elemento amoral e gratuito?
É imolá-lo aos meus caprichos, ignorando
Sua existência e seus quereres?
É servir-me de você e depois destruí-lo
Com um sorriso de carinho supremo?
Seu ódio ser meu maior prazer?
É sentir prazer?
Sua solidão não compensar a minha?
É não desejar compensações?
É ter a marca de Caim?
E quem é Caim?
É estar inocente, pois perpetuada aos pés
De um Cristo Homem?
É possuir o estigma dos cabelos
Sobre lágrimas?
É mesmo?
Ou debaixo delas, perpetuamente,
Estar rindo?
Hein?” (Márcia Denser, in: “Tango Fantasma”)
e, de
repente,
eu descobri a forma
que subverte a forma, de
uma forma ainda
a ser subVertida. Esquece.
Afinal, sabe-se apenas que não é o primeiro gole. O derradeiro, quem sabe, de muitas outras coisas.
E, ao longe, alguém fala: “é só vinho!”. Não entenderam nada.
Um Gole de Baco (parte 5)
: Os Homens disseram que ela precisava ser presa. Vendia algo que não se deve…
.Que mais lhe resta?
Um Gole de Baco (parte 6)
:
não rima com nada. e nem precisa, não é poema. é só para você ver que nem penso mais em ti:
foi a última vez
que me penetraram
com tanto…
fastio!
- se não dá prazer eu não faço.
- e dinheiro, que lhe parece?
Os Homens disseram que ela precisava ser presa. Não devia.
Pagou alto por um preço que não quis abaixar. ………………………………………………………………….. (é só um tiro em outro oráculorifício, minha querida, nada além do estômago que tanto temos gastricamente que suportar. isso passa… isso passa… isso passa?)
