São todos os sentimentos de ontem
são todos os medos do mundo
este minúsculo músculo que pulsa
bate
e apanha
Apanha este sentimento para si
que dó
não cabe
no ré
de mi
São todos os sentimentos de ontem
são todos os medos do mundo
este minúsculo músculo que pulsa
bate
e apanha
Apanha este sentimento para si
que dó
não cabe
no ré
de mi
Nueva lectura de poesía en Second Life: todos invitados !!
Nova leitura de poesia no Second Life: todos convidados!!
Domingo 20 de Diciembre
15 hs (hora de Buenos Aires y de Sao Paulo)
Lugar: The Wastelands – The great fissure
“The Wastelands is Second Lifes oldest and largest residential Post Apocalyptic community”
Si todavía no tenés tu avatar, registrate en: www.secondlife.com, bajate el Second Life Viewer y nos vemos el domingo.
Se vc ainda não tem avatar, registre-se em www.secondlife.com, faz o download do Second Life Viewer e nos vemos no domingo.
Para maiores informações: beegalvao@gmail.com
(Organização: Ana Rüsche e Alejandro Mendez)
Todos que acompanham o blog (há anos) sabem que sou uma apaixonada por Calligaris.
Pois aqui vai mais uma dele.
Boa leitura a todos.
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Deixar saudade e fazer falta é menos arriscado e mais prazeroso do que estar presente dia a dia |
ALGUMAS SEMANAS atrás, uma leitora, Lucila Almeida, comentou minha coluna sobre “Casamentos Possíveis” observando que, paradoxalmente, o artigo a levara a “refletir sobre aquelas pessoas que não casam porque não conseguiram ou porque optaram por uma vida mais descompromissada”. “Essas pessoas”, acrescentava a leitora, “são cruelmente cobradas pela sociedade por não terem seguido o comportamento padrão”.
Seguia um pedido: que eu escrevesse um pouco sobre os “que saem da curva”, “por não casarem ou por não ter escolhido a profissão que dá mais dinheiro ou ainda por ter optado não ter filhos -enfim, por uma série de atitudes que não são consideradas padrão pela sociedade”. Por que eles parecem ser cobrados? E qual é a parte de inveja na cobrança?
Passei o último fim de semana no Rio Grande do Sul, numa celebração dos 20 anos da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, da qual fui um dos fundadores (desde a metade dos anos 80, quando cheguei ao Brasil, até 1994, a capital gaúcha foi o lugar onde escolhi morar). Bom, senti saudade, mas o que mais importa aqui é que fui comovido pelas marcas da saudade que deixei nos outros. No avião que me levava de volta a São Paulo, essa experiência produziu em mim algumas reflexões que se aplicam, em parte, ao celibato. Mas vamos com calma.
Certamente, casar-se ou juntar-se (com ou sem filhos) é um padrão, e quem “sai da curva” recebe uma cobrança dos próximos e da sociedade em geral. O fascismo italiano, por exemplo, desejoso de braços para ampliar e fortalecer a nação, instituiu um imposto sobre o celibato: “Não quer se casar? Paga multa”. Alguns dirão que é natural que seja assim: o casamento serve ao interesse da espécie; para que ela continue existindo, é necessário que a gente se reproduza ou, no mínimo, adote formas de divisão do trabalho que facilitam a sobrevivência: desde “Vamos dividir o aluguel?” até “Você cuida do fogo enquanto eu luto contra o urso que insiste em querer recuperar a caverna na qual a gente se instalou”.
O problema, claro, é que, às vezes, o urso mais perigoso é o outro com quem decidimos coabitar. Deve ser por isso que o celibato é, ao mesmo tempo, estigmatizado como um desvio (“E sua filha, coitadinha, encontrou alguém, enfim?”) e idealizado, invejado (“Você não casou? Sorte sua, fique firme e livre.”).
Diante dessa ambivalência, quem persiste no celibato vive sentimentos desagradáveis. Ele pode se sentir em falta com a família, a sociedade ou a espécie e pode também envergonhar-se por ser objeto de inveja enquanto, na realidade, sua vida não lhe parece invejável: às vezes, onde os outros enxergam liberdade, ele enxerga apenas sua incapacidade de encontrar alguém com quem compartilhar a vida e o medo de ficar sozinho para sempre.
Mas deixemos de lado as dificuldades de achar um par e a chatice de lidar com as cobranças sociais. E examinemos as razões pelas quais alguém, homem ou mulher, persiste no celibato.
Há a explicação tradicional: quem não casa se mantém fiel à sua família de origem -a menina, fiel ao pai; o menino, fiel à mãe. Ela vale em muitos casos, e note-se que é uma via de mão-dupla: frequentemente, é o desejo dos pais que mantém um filho ou uma filha no celibato, como companhia ou, quem sabe, como enfermeiros para a velhice dos genitores.
Outra explicação me foi dada por um amigo, anos atrás. Como ele não parava de descasar e casar-se com mulheres diferentes ou, mais de uma vez, com a mesma, ele me disse, para se justificar: “Não sou sádico”. Como assim? Pois bem, ele achava que recusar o casamento ao outro de quem gostamos (e que gosta de nós) só pode ser uma maneira de torturá-lo com uma privação: “Amo você, mas há algo que nunca lhe darei”.
Enfim, as emoções da viagem a Porto Alegre me sugeriram uma terceira explicação, que não é universal, mas é a que prefiro. Há homens e mulheres que podem persistir no celibato porque deixar saudade e fazer falta é prazeroso e certamente menos arriscado do que estar lá a cada dia. Eles pensam: “Melhor ser o parceiro com quem o outro lamenta não se ter casado do que ser o parceiro com quem ele lastima ter se juntado”.
De fato, nos instantâneos que imortalizam encontros breves que parecem prometer futuros radiosos (e irrealizados), a gente é sempre mais bonito e sorridente do que nos longos reality shows das convivências conjugais.
Começa hoje a quinta edição da Rave Cultural, promovida pela Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Bem, para falar a verdade, começou às 12 horas de hoje e vai se estender até as 6h da manhã de amanhã.
A programação é eclética e inclui show com os eternos Demônios da Garoa.
Programação completa:
Biblioteca Circulante
12h – Contação de história infantil
“História da Sabedoria e Encantamento”
Com Fábio Lisboa
Com uma forma simples e envolvente de narrar, Fábio Lisboa apresenta histórias de diversas culturas. Em um dos contos – um conto cri, da tradição oral indígena norte-americana – abordará a energia ritualística dos índios por meio da dança circular contemporânea, cantos ancestrais, objetos e fantoches, que incrementam a narrativa.
Café Panaroma
13h – Show
Colher de Pau
Nascido do desejo de tocar choro entre amigos, o grupo Colher de Pau especializou-se na música brasileira tradicional. Com o foco em compositores como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth e outros, o grupo retoma a tradição, atualizando-a: ao mesmo tempo que insere elementos de inovação e se flexibiliza, preocupa-se em manter viva a história de nossa música, dotada de riqueza e beleza insuperáveis. O Colher de Pau é integrado por Bruno Baldim (cavaco e violão), Cristal Coelho (voz e pandeiro), Daniel Tápia (clarineta e violino) e Fernando Silva (violão de sete cordas).
14h30 – Show
Demônios da Garoa
Lenda viva da música popular brasileira, com mais de seis décadas de carreira, os Demônios da Garoa, com sua forma original e bem-humorada de interpretar o “jeito de falar” do povo paulistano, agradam desde os mais antigos que acompanham sua carreira até os mais novos espectadores, que descobriram a alegria e a personalidade marcantes do grupo, reconhecido pelo Guiness Book of Records, edição de 1994, como o grupo mais antigo e em atividade no mundo.
Hall
16h – Debate
“Os caminhos da poesia contemporânea brasileira: dificuldades e acertos”
Aproveitando o lançamento do livro O que é poesia?, os debatedores refletirão sobre as características da produção poética brasileira em tempos de globalização.
Participantes: Affonso Romano de Sant’Anna, Carlito Azevedo, Carlos Felipe Moisés, Lucia Santaella, Márcio-André, Nicolas Behr e Ricardo Silvestrin.
Mediação: Edson Cruz.
18h15 – Recital
“Poeta em Voz Alta”
Poetas participantes do livro O que é poesia? e convidados celebram a poesia com suas leituras. Estão confirmadas as presenças de Ademir Assunção, Affonso Romano de Sant’Anna, Carlito Azevedo, Carlos Felipe Moisés, Claudio Daniel, Claudio Willer, Donny Correia, Edson Cruz, Eunice Arruda, Flavio Amoreira, Frederico Barbosa, Luiz Roberto Guedes, Marcelo Ariel, Marcelo Tápia, Márcio-André, Micheliny Verunschk, Nicolas Behr, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Petronio e Virna Teixeira.
20h – Show
Dito Efeito
O Dito Efeito, banda paulistana formada em 2007, busca uma sonoridade singular e urbana, utilizando elementos não usuais no cenário independente. Seus integrantes inicialmente se reuniram para fazer um tributo à banda Radiohead, sem muita pretensão, mas, devido à ótima qualidade apresentada e à grande aceitação do público, partiram para um trabalho autoral. Com influências musicais muito diferentes, trazem, ao processo de composição, elementos da tropicália, da noise music, do experimentalismo e do rock, com pitadas dos mais diferentes estilos musicais, contribuindo para o enriquecimento do cenário musical atual. Integram o grupo: Guilherme Kafé (voz, violão), Sérgio Dino (guitarra, voz e teclados), Régis Alves (guitarra, teclados, voz e sax), André Teles (baixo, teclados e voz) e Vítor Almeida (bateria).
21h30 – Show
Ulisses Rocha
O violonista, compositor e arranjador, com dez CDs gravados, é um dos violonistas mais influentes de sua geração. Dono de um estilo inconfundível, transita entre a música brasileira, a música erudita e o jazz, sendo reconhecido principalmente pela sua versatilidade, evidenciada nas apresentações como solista em pequenas formações, como duos ou trios, ou ainda ao lado das principais orquestras sinfônicas do País. Nos últimos anos, vem marcando presença nos principais eventos musicais, tanto no Brasil como no exterior, participando dos mais importantes festivais internacionais de jazz, como os de Paris, Montreal e São Paulo, ministrando oficinas em tradicionais festivais de verão ou de inverno, como os de Campos do Jordão e o IAJE (International Association for Jazz Education), em Los Angeles, Estados Unidos. Além de sua atuação como artista, desempenha importante trabalho na área didática, como professor da faculdade de Música da Unicamp.
0h – Show
Forrobodó – Encontros e Desencontros do Amor, de Chiquinha Gonzaga a Rita Lee
Com Claudio Goldman, Maria Alcina e Sara Goldman-Belz.
O show é uma viagem emocionante e bem-humorada pelo universo feminino, suas alegrias, dores e contradições, retratando a mulher brasileira nas várias épocas da música popular. O cantor e pianista Claudio Goldman, com as cantoras Sara Goldman-Belz e Maria Alcina, revezam-se em vários papéis, cantando e contando a trajetória emocional das mulheres do início do século XX aos dias de hoje. Canções como “Tatuagem”, “Amendoim Torradinho”, “Da Cor do Pecado”, “Vingança”, “Perigosa” e “Cachorro Vagabundo” transitam entre prazer e sofrimento, alegria e solidão, mostrando a mudança de costumes na sociedade brasileira.
3h – Show
Quasímodo
Lançamento do CD Na Hora!
Pense num chiclete gostoso e cor-de-rosa; então, o Quasímodo vem chegando, com seu rock pra cima, festeiro, inteligente e… grudento! Guitarras a la B52’s e Strokes, bateria eletrônica misturada com acústica, o baixo forte segurando a marcação, órgãos hammond e synths e, na linha de frente, o toque feminino da doce diva Vans Moraes. Ah, e um visual bem pouco discreto. Destacam-se no repertório as composições do grupo: “Sempre na Cozinha”, “ET”, “Aqui do Lado”, “Muerte For Free” e “Everybody Kisses”, além de versões para “Toda Cor” (Titãs) e “Grilo na Cuca” (Dudu França). Participam do grupo: Vans Moraes (voz principal), Tico d´Godoy (voz), Rica P (guitarra), Nelinho (teclado e voz), Juari (baixo e voz) e Cesinha Sartori (bateria). A produção artística é de Tchorta Boratto e os figurinos, de Paula Valéria Andrade.
4h30 – Show
Terno de Damas
O trio vocal Terno de Damas, formado em 1997, é atualmente composto por Heloisa Araújo, Denise Matta e Celina Gusmão. O grupo é dirigido pelo maestro Adilson Rodrigues, também responsável pelos arranjos. Em sua trajetória, o Terno de Damas vem construindo um repertório baseado nos diversos gêneros e ritmos da canção popular, incluindo compositores como Ary Barroso, Chico Buarque, Itamar Assumpção, Luiz Melodia, Tom Jobim, Caetano Veloso, José Miguel Wisnik, Tom Zé, Custódio Mesquita, entre outros. A principal característica dos arranjos é a valorização da palavra, elemento central da canção popular. O conceito dos arranjos trabalha, na maioria das vezes, com três linhas independentes e o timbre das vozes das cantoras é muito próximo, o que dá uma densidade especial à sonoridade do trio. Nessa apresentação, o trio será acompanhado por Mauricio Marques (piano) e Adriano Busko (bateria).
Varanda térrea
21h – Boca também toca tambor
Performance multimídia do poeta Ricardo Aleixo
O cruzamento de referências que vão dos cantopoemas de extração africana às poéticas experimentais da voz é a base a partir da qual se organiza esta performance de Ricardo Aleixo. No repertório, além de alguns de seus “textos-tambores”, Aleixo incluiu versões personalíssimas para peças do repertório de Nicolás Guillén (1902-1989), em homenagem aos 20anos de morte do grande poeta cubano.
Varanda térrea
1h – Lounge-Groove com o VDJ Fábio Vietnica
O videoartista fará projeções de imagens com videopoesia e declamações de Haroldo de Campos e outros poetas, apresentando o conceito de videodiscotecagem, que consiste na execução, ao vivo, em uma pista de dança, de videoclipes mixados com áudio original.
Fábio Vietnica é economista e apresenta, todo terceiro sábado de cada mês, o Projeto MICI You??? de videodiscotecagem, na Funhouse.
Serviço
Rave Cultural 2009
Dias 5 e 6 de dezembro, das 14h às 6h da manhã
Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, 37 – próximo à Estação Brigadeiro do Metrô
Tel.: (11) 3285.6986
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Fonte: Blog da Zunái
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Agora é oficial: estou com invejinha boa de todos os que puderam ficar em Sampa… minha querida Sampa…
Hoje eu queria falar dos e-mails que preciso responder, dos lançamentos literários aos quais não pude comparecer, das fotos que farei de uma badalada festa hoje à noite, da câmera digital nova que comprei…
Queria, também, fazer alguma poesia aos amigos de fato, aqueles que nos amam a despeito de qualquer distância e de qualquer mancada (e olha que não são poucas).
Mas, rapidamente, passei pra falar da Virada Cultura, que inclui 35 horas de cultura sem parar.
Ainda dá tempo de conferir a programação e se divertir por hoje e amanhã, de graça, ao lado de gente bonita e bem informada. É só clicar nos links sutis presentes no texto. E ir ao contexto.
Pronto, falei.
Vc estava achando que só esse calor infernal iria esquentar o fim de semana na cidade de São Paulo? Pois errou feio, caríssimo!
Começa HOJE a quarta edição da já badaladíssima Balada Literária.
Ainda é o Marcelino Freire o grande culpado por tudo. E, este ano, o autor homenageado será ninguém menos que Glauco Mattoso (adoro!!).
Programação completíssima aqui.
Nos vemos na Vila Madá! Fui.
No mínimo, faz (re)pensar…
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Pesquisa oferece duas sugestões para que uma relação não seja envenenada pelo ciúme
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A CADA semana, ouço a queixa de alguém que encontra, no celular de seu parceiro ou parceira, a “prova” de uma traição: o ciúme vinga com a tecnologia, mas entendê-lo continua difícil.
Para os darwinistas, a evolução favoreceu os ciumentos: sobrevive a linhagem dos que evitam sustentar rebentos ilegítimos, poupando assim seus recursos. Problema: o argumento evolucionista vale só para o ciúme masculino (mesmo no pleistoceno, os homens que pulavam a cerca não voltavam grávidos para casa), e, restaria explicar, o ciúme feminino. Várias pesquisas mostram que todos, homens e mulheres, são mais sensíveis à infidelidade emocional (que não engravida ninguém) do que à infidelidade sexual.
Os cognitivistas, em geral, entendem o ciúme como uma reação contra algo que ameaça a relação e fere o amor-próprio do “traído”. Faz sentido, mas o ciúme (sobretudo patológico) nem sempre é reativo: às vezes, o ciumento inventa situações para alimentar seu ciúme.
Os terapeutas psicodinâmicos notam que o ciumento é mais preocupado consigo e com seus rivais do que com o objeto de seu amor. Eles reconhecem, grosso modo, dois tipos de ciúme, que ambos seriam restos neuróticos da infância:
1) Há o ciúme possessivo de quem não deixa a primeira infância, continua querendo ser um único corpo, junto com a mãe, e só enxerga ameaças – no pai, nos irmãos etc. Nesse estilo, uma tia minha passou a vida recluída pelo marido: não saía de casa, nenhum médico podia examiná-la. Por essa razão, eu não a conheci, mas minha avó dizia que o homem era louco e que ela era louca também, por aceitar.
2) Há o ciúme inseguro de quem nunca se sente “tranqüilamente” amável e está sempre revivendo as emoções da pré-puberdade, quando descobrimos que a mãe tem interesses diferentes da gente (experiência dolorosa, mas também prazerosa, pois, traindo-nos, ela nos liberta para desejarmos outras coisas).
Então? Pois é, acabo de ler uma pesquisa, de Visser e McDonald, no “British Journal of Social Psychology” (vol. 46, nº 2, junho 2007): “Swings and Roundabouts: Management of Jealousy in Heterosexual Swinging Couples” (suingue e carrosséis: administração do ciúme em casais heterossexuais que praticam o suingue).
Questão dos pesquisadores: há casais que praticam regularmente o suingue, a troca sexual de parceiros; como eles administram o ciúme?
Resultado previsível: os casais que praticam suingue transformam seu ciúme em excitação sexual. Essa transformação é mais fácil para o homem; na mulher, a visão do parceiro nos braços de outra produz facilmente insegurança. Seja como for, a transformação do ciúme em excitação sexual é possível à condição que seja garantida a confiança absoluta de ambos na coesão do casal. Garantida como?
1) A primazia do envolvimento afetivo sobre o sexual é permitida pela sinceridade. O parceiro é sempre o primeiro a saber: essa prioridade garante a superioridade do laço afetivo do casal sobre o laço sexual com outros. De fato, na infidelidade, o que mais causa aflição é que, por exemplo, o amante sabe do marido, e o marido não sabe do amante (diga para um amante que sua performance é comentada na mesa do casal, e ele, provavelmente, sumirá para sempre).
2) O próprio suingue, como fantasia constantemente elaborada pelos dois, consolida o laço do casal, torna-o muito mais importante do que os parceiros ocasionais de cada um.
Será que, dessas constatações, há como deduzir uma receita contra o ciúme ordinário?
Parece que sim: à condição de não precisar repetir os restos da infância mencionados antes, deve ser possível construir uma relação em que o ciúme seja tolerável.
Para isso, segundo a pesquisa, é bom:
1) que as “infidelidades” (todas, não só as sexuais) sejam prenunciadas, ou seja, que elas existam primeiro na conversa do casal;
2) que os membros do casal compartilhem uma aventura, um sonho (voar de asa delta, aprender sânscrito ou praticar suingue, tanto faz).
Mais duas observações. A maior traição é a traição do próprio desejo da gente; portanto, pedir ao outro para não nos trair é menos importante do que lhe pedir para não trair a si mesmo. Até porque um parceiro ou uma parceira que traísse seu próprio desejo para ficar com a gente acabaria, a médio prazo, odiando-nos por ter-se traído.
Enfim, uma infidelidade não é razão para acabar com uma relação. No máximo, é razão para perguntar-se se a relação vale a pena.
(Texto de Contardo Calligaris, para a Folha de São Paulo)